Área de treinos da Jully

    Compartilhe
    avatar
    Jully De Peixes
    Players

    Mensagens : 17
    Data de inscrição : 09/08/2012

    Área de treinos da Jully

    Mensagem por Jully De Peixes em 09.08.12 21:37

    Sob o clamor de uma afável oração àquelas terras gélidas sobreviveram. Dispersa pelo álgido vento uma terna voz feminina abrasa os corações daqueles que se deixam vencer pelo frio constante que açoita o solo sagrado de Asgard como o látego do feitor mal. Abatidos pelo sofrimento, o povo do extremo norte nascido no berço do pano branco não conhecem a relva verde ou o fulgurar quente do astro rei. Sobretudo, constantemente suplicam ao seu deus que lhes dê forças para suportar o jugo que seus nobres corações receberam como dádiva do destino.Porém há pouco o gelo fundiu-se as águas do ártico sem se importar com os minutos e segundos. A mesma voz que outrora era aprazível a todos, agora possuía um rancor fantasmagórico irônico. Seus olhos domados por uma esperança eram preenchidos por u m ódio nefasto que faziam o amor e respeito transformar-se num profundo medo. Subjugada por algo que ninguém sabia, era dado o fim do sofrimento e o início da glória do povo asgardiano sobre a terra, sucedendo assim a peleja mortal contra aqueles cuja alcunha percorria os quatro ventos, os chamados Santos.Agressivo por dentre das montanhas o cosmo do colossal servo da representante de Asgard anunciava o início da primeira batalha mortal e também mostrava o fim.
    - Nessas terras de Asgard farei seu túmulo Pégaso!-Disse O guerreiro.
    O cosmo cândido mesclado por pigmentos violáceos denotavam a cólera que este concentrava em sua energia. Um singelo sorriso esbouçou-se com o ataque desferido. Diversos golpes em formatos de meteoros atingiam o robusto guerreiro que tinha em seu peito o orgulho de trajar a sagrada armadura dos deuses, entretanto, seu corpo assemelhava-se a uma barreira impenetrável, nenhum dano se via tão pouco sentia. O olhar pasmo de Seiya junto aos passos recuados explicavam seus murmúrios temerosos.
    - Seus ataques são uma vergonha para o nome dos cavaleiros... Athena pecou ao trazer para sua defesa os fracos cavaleiros de bronze...-Disse o Guerreiro.
    Seu punho cerrado fora tomado por um poder destrutivo sem igual, nos meados da velocidade da luz seu ataque atinge em cheio o cavaleiro de Pégaso, jogando-o direto para o orifício entre as montanhas geladas. Os gritos de desespero logo iam se abafando, encerrados pelo som do encontro do baque do corpo inerte de Seiya com a neve.
    "Faltam apenas dois..."-Pensou o guerreiro.
    Virando-se para trás, confirmava o fim do primeiro que se opôs aos ideais de sua amada Hilda. Com rápidos saltos nas rochas interligadas voltava para o céu aberto recebendo os fortes ventos da nevasca que se dava. Tomou para si seus machados fincados à neve fofa e fora em busca dos insolentes que ousaram adentrar as terras de Asgard. Rapidamente a ampulheta do destino dispersava suas areias para a gloria do povo asgardiano.Os desfiles invernais marcavam a eternidade naquelas terras abençoadas pela guarda de Odin. Acostumava a viver perto dos ardores mediterrâneos e do sol que abraçava o cotidiano grego, viajar por aquele norte europeu era no mínimo... inóspito. Os saltos flavescentes de suas botinas ganhavam adornos brancos devido aos pisadas nevascas naquele solo. O glacial era inevitável e até um pouco incômodo. Mas em seu peito havia calor. Calor que aquecia a sede de vitória.
    Mal havia sido desiludida do mal instaurado no Santuário, os Cavaleiros da Esperança mostraram de que lado estava o bem e quem era a autêntica deusa, a qual Shina volvera-se amazona apenas para proteger. E a protegeria agora com mais convicção, ainda que, no mais humano dos sentidos, a divindade representava também sua possível rival.Mas esse não era mais seu foco. De coração aberto para o garoto que lhe cativara a vida, desarmou-se em parte de sua natureza hostil. Seu amor agora reverteu-se em um sentimento não condicionado, entregue apenas ao desejo de zelo e proteção. Amor não era mais sinônimo de veneno ou de morte. Apenas de vida.
    Ver a maneira com a qual Seiya quase cedeu sua vida pelo bem mais precioso a fez reavaliar a razão porque lutava e não levava qualquer vida feminina civil. Destituir Ares - personificado pelo Cavaleiro de Gêmeos - fez com que a paz regressasse. Mas por quanto tempo? Até que Odin permitisse.
    "Eu não tardarei, Seiya... estarei ao seu lado para lhe ajudar..."-Pensou Jully.
    Palavras permeavam sua mente no seu trajeto corrido pelo chão nevasco. Deu-se por satisfeita em sentir o Cosmo de Seiya já próximo, mas não tão forte... quase esmorecendo. Lateral a uma montanha, Jully pode então ver o cavaleiro de costas, arrojado por um brutamontes em direção às montanhas. O colossal guerreiro repeliu os meteoros ministrados por Marin em prontidão. Seiya, comparado em estatura, considerava-se um pigmeu. Momento de ação para a Serpente.
    Acercou-se a Seiya, segurando-lhe a cabeça. Sentiu sua respiração. Débil, porém em funcionamento.
    Deitou-o outra vez e ergueu-se. Ao olhar para o algoz, viu que esse saltitava pelas rochas, serelepe por sua suposta vitória.
    - A BATALHA AINDA NÃO ACABOU! - Bradou Jully, imponente em sua voz aguda. - Prepare-se. Esse será seu fim!
    O advento da guerra era espalhado pelos ventos nórdicos como alarido de que tão próximo estava o fim dos tempos de opressão, onde já não mais necessitariam serem impedidos de sentirem os raios do sol ou de verem os campos verdejantes por causa de povos tão ingratos. Assim também sucederia a brusca queda eminente do Santuário de Pallas pelas mãos da divina governante das terras geladas de Asgard. Ninguém se opusera, pelo contrário, todos atentos ao mandar permaneciam dentro de seus casebres orando em harmonia pelos guerreiros que arriscavam suas vidas a favor deste desolado povo que com fé ansiavam a chegada do grande dia triunfal.O som cortante da nevasca que soprava com veemência farfalhava os alvos cabelos do robusto Thor, que num marchar vagaroso deixava em seu trajeto as marcas sob a neve fofa. Seu sorriso convicto era resulto do poderio que este ostentava em suas mãos e cosmo, o medo não lhe era cabível, tão pouco a fraqueza lhe tinha por qualidade. Tendo em suas mãos os sagrados martelos de Mjöllnir ele caminhava para a vitória.
    "Divina Hilda, esses fracos cavaleiros não entendem seu desejo, pois vivem debaixo da graça divina... Mas sob a vontade de Odin nós nos livraremos dessa pena!"-Pensou o Guerreiro.
    Os ventos traziam consigo as súplicas daqueles que intercediam por sua vida. Jubiloso seu cerne externava o exulto em pensamentos promissores. Entretanto sua face auspiciosa permutou à indagadora quando um brado feminino transpassou o canto do gear, pela ousadia não tardou em concluir do que se tratava.
    - Vejo que outro cavaleiro não se atreveu a vir até Asgard e dessa vez mandaram uma frágil mulher! Covardes... – Sorriu – Já adianto... Poupe seus esforços, nem mesmo os valorosos cavaleiros de Ouro serão oponentes para nós os guerreiros deuses de Asgard!
    Enojada, Jully recebeu o comentário do gigante asgardiano. A opugnação que a acometeu por ele fazer referência à sua condição feminina igualava-se a fúria de um deus quando afrontado por um humano. Encarava-o por sob os olhos metálicos. O verde de suas íris adquiriu uma cintilação colérica, intensificada por ela avistar Pegasus desfalecido na montanha nevosa.
    - Quanta insolência... não pense que por eu sou uma mulher, sua vitória é garantida... talvez essa neve enfeitem seu corpo no caixão!-Disse Jully.
    Cerrou os punhos. Flexionou as pernas. O movimento de seu corpo avisava um ataque iminente.
    - Morra, maledetto...-Disse Jully.
    Seu corpo tomou impulso forte em direção ao corpo colossal. O braço, em riste e as mãos enconchadas para ressaltar as garras notáveis.
    - Garras de Trovão!-Gritou Jully o nome de sua habilidade.
    Aos poucos a figura que pronunciou palavras afiadas contra o guerreiro deus surgia por entre o branco nevoso. Com um olhar desinibido o gigante peregrina pela silhueta esbelta da delicada jovem que apesar da débil aparência externava sentimentos alheios aos pensamentos do nórdico que conservando um sorriso escárnio ouvia as contestações à sua veraz colocação. Por alguns instantes, estupefato, sua face perdera o garboso brilho irônico ao perceber a atitude fugaz da mulher cavaleiro que se curvando á uma postura ofensiva proferia o que para a mesma seria a derradeira colocação.
    -Não perca seu tempo! Não adiantará lutar contra mim o guerreiro deus de Asgard Thor de Phecda, a Estrela Gama!...
    Fincou as extremidades afiadas de suas armas mágicas na neve quando a energia da mulher cavaleira, apesar da máscara que lhe encobre o rosto não permite ver seu real aspecto, mostrava sua raiva. Sob as dimensões do sétimo sentido denotava cada movimento executado pela cavaleira que apesar da destreza, não apresentaria nenhum risco ao colossal servo de Odin que com um ágil movimento girou seu corpo em 90° à direita, esquivando-se por completo das garras afiadas da inimiga.
    - Então que venha! Porém sua lentidão custará um preço!-Disse o guerreiro.
    Em resposta, cerrou o punho concentrando neste uma alva camada cósmica e no momento em que ele se virou, sem delongas para segundos pensamentos, desferiu um impactante soco, juntamente com um brado ofensivo em direção ao estomago da mesma.
    - Hilda me abençoou com a sagrada armadura dos guerreiros deuses! – Tomou para si os martelos – Lutarei por ela, por Odin e Asgard não importando qual for o inimigo, até mesmo se tratando de uma mulher! Não terei piedade de alguém que luta pelo Santuário! Para mim é como um inimigo qualquer!

    Abaixou o braço após perceber que cortara o ar. O asgardiano desviara de sua técnica com destreza. Imediatamente, virou-se na direção que ele se posicionou. Encarou com fúria mascarada a feição nórdica e o sorriso ladino desenhado.
    "Desgraçado..."
    Escutou sem muito interesse a apresentação dele. Poupou-o da sua. Jully almejava aniquilá-lo. Carminar a candidez da neve com o sangue escandinavo.
    - Sua petulância que custará caro! Não pense que terá vantagem com seu tamanho! Venha, me ataque, gigante imbecil!-Disse Jully.
    Posicionou-se novamente. Na verdade, não aguardava uma investida tampouco uma resposta mas sim preparava-se para derruí-lo naquela mesma fração de segundos. O desvio não fora, para ela, a passo mais louvável que já contemplara. Desconsiderava-o como um adversário à altura.
    - Não quero levar a safira comigo sem dar-lhe um pouco de sofrimento!-Disse Jully com determinação.
    Algo além dos seus sentidos regulares a fazia almejar a tortura do algoz. Tal qual a simbologia de sua constelação, suas palavras carregavam o veneno de uma serpente e seu cosmo, o orgulho de uma mulher-cavaleiro. Cosmo esse que embebeu o corpo galgaz de luz violácea, intensificando-se aos poucos. Desatou a correr outra vez em direção ao oponente, com o punho esquerdo estirado.
    Vã atitude. O golpe que objetivava acertar fora mais rápido na mente adversária. Logo seu estômago recebeu o murro da imensa mão fechada. Gosto de sangue na boca. Parecia uma tritura em seu estômago.
    Foi de encontro ao chão. A neve a gelar-lhe as costas. Por segundos, permaneceu tombada a fitar o rosto de Thor. Vira-o tomar nas mãos uma ferramenta. E novamente fazer menção à sua condição de mulher. Impetuosa, ergueu-se:
    - Imagino o quão humilhante seria você perder a sua vida nas mãos de uma mulher... mas é o que acontecerá! Por Athena.... morra, Thor!-Disse Jully.
    Como se um sopro divino a empurrasse, Shina saltou com a perna direita esticada, tencionando chutar a face de Thor.
    O pano cândido fora leito daquela que com impugno ousou enfrenta-lo, brevemente serviria de mausoléu, assim sondava os anseios do guerreiro deus. Entretanto admirou-se ao contemplar o valor que esta possuía quando não se rendeu e com a mesma destreza de outrora rompeu os ventos com a perna eriçada para um chute certeiro na face do guerreiro Deus.
    "Ela tem a mesma insistência do cavaleiro de Pégaso..."
    O vassalo de Hilda levou os braços à fronte, de forma que seu antebraço lhe cobrisse toda a silhueta de seu rosto, formando um “X”. O chute da mesma acertou-lhe o meio dos mesmos fazendo com que o gigante deixasse o traço de seu recuo,forçado no solo. A defesa fora bem sucedida, porém algo perturbava seus pensamentos ao denotar tanta semelhança com o último cavaleiro que este enfrentara.
    - Essa é toda a força dos poderosos santos da deusa Athena? Fracos... Vou lhe mostrar o que realmente é um poderoso chute! MORRA!
    Num salto estridente sua energia se formava contornando seu corpo numa áurea opulente que aumentava gradativamente para o apogeu de seu cosmo. Com a perna eriçada ia em direção da cavaleira num ataque de chute preciso. O pacato lugar que só se ouvia o sopro dos ventos agora se tornava palco de um brusco prélio de ideais.
    Outra defesa. Jully havia ido certeiramente na direção do rosto de Phecda mas esse, com o auxílio dos braços cruzados defronto à face, deteve-a. O salto agulha das botas gregras cravaram o vácuo que formou-se entre seus braços.
    Com uma pirueta no ar, Jully regressou ao solo de neve. Estática. Corpo levemente arqueado. O cosmo iroso ainda a enfeixar-lhe.
    "Seu cosmo emana coragem e agressividade... características perfeitas para uma luta... mas não será páreo para mim!"-Pensou Jully.
    A constação mental fez com que a sórdida ironia de Thor soasse surda. Mas regressou à realidade quando toou o grave "morra".
    A sola da armadura de Thor estava muito próxima a Jully. O próximo passo, antes que ele lhe acertasse, foi segurar-lhe a perna com vigor, cravejando nela a garra colossal.
    -Grande em tamanho e em estupidez...-Disse Jully.

    Para torturá-lo, girou-o por três vezes. Logo arremessou-o contra uma montanha oposta à que Seiya se encontrava.
    -Vá para o inferno!-Disse Jully.
    Thor, detentor dos sagrados martelos de Mjöllnir eu vos abençoo com a armadura sagrada dos deuses de Phecda, a Estrela Gama – Ao lembrar-se das palavras proferidas por sua deidade amada, as imagens do dia em que fora concebida a ele tamanha confiança culminavam sua mente. Para o gigante, guarnecer aquelas terras era como um pacto sagrado com os deuses, uma incumbência que carregaria até a penumbra de seu sepulcro, pois como nota haveria de requisitar: Jaz aqui o valoroso guerreiro de Gama.A prole do nórdico manchou o alvo solo asgardiano. Uma fraca dor o fez voltar à realidade, denotando que as garras da amazona contestavam suas ideias da fragilidade da mesma. Por sorte, sua sagrada armadura tornou sua pena pelo desdém amena. Por alguns instantes urrou ao ser girado algumas vezes pelo ar, quando caiu em si estava soterrado pelos sobejos de uma parede de gelo.
    - Já Chega!-Gritou o guerreiro.
    Levantou-se de imediato jogando os pedregulhos para os lados. Ao eriçar seus braços para os céus o brilho de seus martelos cintilou com o fraco reflexo do sol no metal nobre. Chegar-se-ia a hora de dar por fim aquele embate sem fundamentos e cumprir com seus objetivos.Finalizar os invasores que ousaram ir contra a grandiosa Hilda.
    - Acha mesmo que algo tão simples poderia derrotar o poderoso Thor? Essa luta se encerra aqui! – Bufou raivoso – Hilda vencerá essa guerra!
    Os martelos cortaram os ventos gélidos sob uma velocidade dalém das capacidades comuns. Rodopiavam criando até mesmo redemoinhos por tamanha brutalidade. Com sua mágica, seguiam em direção ao seu único alvo como leões ferozes e famintos em busca de suas presas. Se errassem tornariam enganosos para um segundo ataque.
    Jully viu que não podia desmerecer Thor como rival. Mas de todo, não encontrava exultante dificuldade ao duelar com ele. Arremessara seu corpo contra uma das colinas de gelo presentes e viu que, com o peso depositado, alguns pedaços sofreram fissuras. Um golpe simplório como esse não encerraria a luta. Não faria bem para o orgulho de ambos. E então Jully o esperou estática com as mãos cerradas para o prosseguimento.Seu cosmo ainda ardia ao redor do corpo e a adrenalida que corria sem suas veias intensificavam a eletricidade que ela conduzia.
    Exasperado, Thor se reergueu. Enalteceu o próprio poder. Nada que surpreendesse Jully, já que não esperava dele menos que essa íngreme resistência.
    Braços erguidos. Portava nas mãos dois martelos azuis.Jully perguntou-se qual seria a finalidade daquela ferramenta, mas não tinha dúvidas quanto ao seu vínculo a alguma técnica. O ato seguinte comprovou-o. Logo Thor fincou-os no chão nevasco. Começaram-se velozes movimentos giratórios que fendiam o solo de maneira brutal. Avançaram céreles na linha de sua direção. Tão rápido que Shina mal conseguia acompanhar. A neve local abruptamente se desmantelava e no pensamento de Jully, apenas uma pessoa.
    Deu às costas ao oponente, traçando desabalada carreira em direção a Seiya. Ainda estava deitado na montanha oposta. Antes que os martelos os tocassem, Jully conseguiu alcançar o amado. Segurou-o vigorosamente pela cintura, colando o próprio corpo ao dele. Extraiu-o da montanha quando as ferramentas vieram a flagelá-la.
    Resvalaram colados pelo solo que ainda não havia sido desmanchado. A proximidade dos corpos manteve-se para ela momentamente indiferente, já que o raciocínio prendia-se novamente em Thor.Escondeu-o detrás de um pedaço de gelo a metros distante. Olhou-o mascaradamente. O brilho dos seus olhos conseguia permear aquele metal embaçado pela brisa invernal de Asgard.
    "Derrotarei Thor e conseguirei a Safira que está com ele, Seiya... por Athena e por você."
    Os Sagrados martelos rodopiavam enlouquecidos para saciar os desejos de seu mestre. Firmes criavam em seu caminho redemoinhos cortando tudo o que contra eles se puserem. A mulher cavaleiro percebendo o brusco movimento se colocou a correr em sentido oposto. Thor estreitando os olhos apenas sorriu, não havia escapatórias, as sacras armas não cessariam seu marchar enquanto não cumprissem o desejo do feitor
    Num rápido movimento a guerreira pegou Seiya – ainda inconsciente – saindo da linha que se dirigia os vorazes martelos, os mesmos esmiuçaram o rochedo próximo em migalhas, afinal, até mesmo as eternas geleiras perecem ante a impetuosidade destes. Voaram para o distante enganosos em sua missão. Célere ela volveu em sua direção, seu rosto tapado pela máscara prateada não deixava o asgardiano ter certeza de seus sentimentos, porém seu cosmo revelava sua ira. o Guerreiro apenas sorria com a queda que estava eminente, o tempo passava e logo Athena morreria, o mundo estaria nas mãos de sua divindade.
    - Você acha mesmo que os sagrados martelos de Mjöllnir descansarão enquanto não abaterem suas vitimas?-Disse o guerreiro.
    Dos ventos brancos os reflexos do azul fosco de suas armas, outrora perdidas, apareciam no horizonte novamente fazendo seu caminho para obliterar o inimigo
    Jully incumbiu o solo escandinavo de proteger momentaneamente o corpo inerte de Seiya, desfalecido devido ao golpe de Thor. Os martelos que o Guerreiro Deus manipulava deterioravam todo o empredrejamento glacial ao redor, tanto é que Jully não preocupou-se em defender-se ou em destruí-los; apenas em manter intacta a integridade de Seiya.

    Deixou-o em um lugar apartado, ciente de que Pegasus estaria são. Mas no regresso ao confronto, Thor permanecia ali, irreverente em sua estatura, personalidade tão estrídula quanto o tinido dos seus martelos mortíferos.

    Olhou-o desdenhosamente, tendo esse mesmo olhar em retorno. Sentia que ele queria desvendar-lhe a feição. Mas o cosmo respondia por esse enigma. Thor ratificou a eficácia dos martelos que não se absteriam de destroçar as vítimas, levasse o tempo que fosse.

    Nada que Jully já não houvesse imaginado.
    - Seja uma presa do próprio ataque então, Thor.
    Outra vez, o mundo interior manifestou-se em seu corpo em forma de luz incadescente. O cosmo ardente contrastava com o gélido ambiente do recinto asgardiano, tão logo a luz de suas garras eletrocutariam o perímetro.
    -GARRAS DO TROVÃO!-Gritou Jully.

    Com a mão direita elevada, de seu braço e dedos emanavam raios fulvos que faziam uma chuva de eletricidade por todo o local. Cosmo cada vez mais elevado. O guerreiro Thor ja estava muito cansado e quase sem energia e foi ai que Jully se aproveitou desferindo seu ataque o fasendo cair, pegando-lhe sua safira.
    avatar
    Lawliet
    Game Master

    Mensagens : 241
    Data de inscrição : 25/02/2012
    Idade : 20
    Localização : Rio de Janeiro

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Lawliet em 09.08.12 22:03

    + 500 de Experiência / + 800 de Dinheiro
    avatar
    Jully De Peixes
    Players

    Mensagens : 17
    Data de inscrição : 09/08/2012

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Jully De Peixes em 10.08.12 15:04

    O Santuário, antes imponente com suas belas construções, agora se resumia a ruínas. A Guerra Santa havia consumido não só muitas vidas como também as instalações onde Athena e seus guerreiros viviam.
    Felizmente, Atena mais uma vez conseguiu parar os planos de Hades, mas não sem pagar um preço muito caro: a vida de todos os seus santos dourados.
    De qualquer forma, a vida continuaria, e, em tempos de paz, tudo pode ser reconstruído. Athena, na sua categoria de deusa, conseguiu libertar as almas de seus cavaleiros (aprisionadas por se rebelarem contra os demais deuses) e ressuscitá-los.
    ...Tempos de Hoje...
    Esta era mais uma tarde quente, típica da região.Conforme o combinado entre todos os cavaleiros de Athena, Miro, assim como os demais cavaleiros de ouro, era responsável pela reconstrução de sua casa zodiacal. Dirigiu-se para lá e no caminho encontrou algumas amazonas carregando entulhos e trabalhando, da mesma forma que os demais homens do Santuário.Era de conhecimento geral que as amazonas do Santuário jamais tiveram um tratamento especial por serem mulheres, mas Miro, ao ver aquelas garotas arrastando e carregando pedras de todos os tipos e tamanhos, deixou seu instinto masculino falar mais alto.Os tempos agora seriam outros, e na visão do cavaleiro de Escorpião, não era mais necessário que aquelas garotas fossem vistas como homens. Com o coração muito nobre, por mais que muitas vezes isso fosse confundido com outras qualidades, Miro logo dirigiu a palavras às amazonas que trabalhavam no local, tão esforçadamente.
    - Calma garotas, não há mais necessidade de tanto esforço. Descansem, pois eu e mais alguns cavaleiros iremos faser este serviço pesado.
    Não era intenção do cavaleiro duvidar da capacidade física daquelas amazonas, mas mesmo assim muitas delas colocaram as mãos na cintura e resmungaram alguma coisa, mostrando sua indignação com o pronunciamento do dourado.
    Miro balançou a cabeça levemente e deixou um meio sorriso tomar seu rosto. A necessidade que aquelas amazonas tinham de mostrar que eram fortes chegava a ser divertido. Tirou seu elmo e olhou ao redor. Teria muito trabalho a fazer. Começou a esquematizar em sua mente uma estratégia para reconstruir aquele lugar, mas os pensamentos foram interrompidos quando seus olhos encontraram aquela amazona inconfundível, que sempre causara nele uma espécie de incômodo.
    "Uhmpf! Aposto que nem dormindo ela deixa de ser irritante.”-Pensou o cavaleiro.
    Jully aproximou-se a tempo de ouvir o cavaleiro de Escorpião dispensar o serviço das jovens amazonas. Ao contrário delas, não expressou descontentamento, mas caminhou até próximo das outras garotas, confirmando o que o dourado acabara de dizer:
    - Ele está certo, meninas... Poupem seus esforços, logo terão uma missão muito mais importante e adequada do que ajudar na restauração desse lugar. Voltem para o acampamento que logo faremos uma reunião. Tenho ótimas novidades...-Disse Jully.
    Ela então deu um sorrisinho irônico por debaixo da máscara, observando as amazonas pouco a pouco, abandonarem seus postos, acatando de bom grado a ordem da amazona de prata.
    Jully então se voltou para Miro, observando o olhar de escárnio que o mesmo lançava para ela. Por baixo da máscara, sua expressão era compatível com a dele.
    -Você é um porre, nem o inferno te aguentou...-Disse Jully.- Sabe Miro, um dia,não hoje.Você vai me pegar em um dia ruim e me olhar torto igual sempre faz.E eu não vou conseguir segurar e vou acabar enfiando a mão na sua cara.-completou.
    Então ela se aproximou mais dele, sem transparecer hostilidade alguma.
    -Mas hoje eu estou felicíssima. Só não estou mais feliz e satisfeita por um detalhe mísero... Você! - Disse Jully.
    Miro já não lembrava mais por que ele e Jully tiveram a primeira discussão, mas lembrava muito bem que todas as vezes que a amazona cruzava seu caminho, ela lhe proferia palavras agressivas.
    Obviamente o cavaleiro de Escorpião nunca se preocupou com isso, vide a diferença de poderes entre ele e a amazona em questão. Em certos momentos, até achava divertido discutir ou trocar “elogios” com ela.
    Mas dessa vez era diferente. Miro não estava com paciência para as interpretações equivocadas que Jully fazia sobre seus olhares e palavras. Queria terminar logo de ajeitar aquele monte de entulho e erguer novamente a bela Casa de Escorpião.
    -Aah... então você está feliz Jully. Fico contente que você finalmente tenha encontrado um herói para dormir contigo.-Disse Miro
    Jully apertou os dentes ao ouvir a provocação de Miro. Teve certeza que naquele momento, estava hipertensa. Podia sentir o coração bater furioso em seu peito. Os olhos brilharam através da máscara. Se tivesse uma metralhadora, descarregaria todo o pente em Miro.
    'Herói? Ele está falando que eu sou feia, que eu sou um dragão??'-Pensou Jully.
    Ela cerrou os punhos e foi na direção dele, pisando duro feito um rinoceronte. Espalmou a mão sobre o peito dourado da armadura de Escorpião e o empurrou com raiva para trás.
    -Ficou com inveja? Não conseguiu um herói pra te deixar feliz hoje?-Perguntou Jully irôncamente.
    Jully começa a rir, apoiando as mãos na cintura.Mas estava tremendo de raiva.
    Miro deu um passo para trás ao ser empurrado por Jully. Ser empurrado não deixava Miro nervoso, mas ver Jully rindo sim. Ele gostava mesmo era de ver ela nervosa, sem aquela pose altiva e cheia de si.
    Aproximou-se novamente, sério.
    -Tenho que confessar que essas mulheres do Santuário estão perdendo a graça.-Disse Miro.
    Parou a poucos centímetros da amazona de Cobra, olhando para a região da máscara onde estariam os olhos.
    -Quem sabe você ajuda a resolver o meu problema? – disse Miro abrindo um belo sorriso.
    Jully sentiu na expressão de Miro que o havia incomodado de verdade. Deixou que ele se aproximasse o quanto quisesse, se mantendo em sua posição feito uma estátua. As mãos continuavam na cintura, mas os dedos da mão direita tamborilavam em seu quadril demonstrando sua impaciência:
    - Ahh... Sabia que você tava variando o cardápio. Eu sempre soube... E quem é o coitado que tá apagando o seu fogo, em? O Camus?-Disse Jully irônicamente.
    Quis esquivar-se da nova aproximação, mas continuou firme. Com a proximidade, ele poderia notar que ela usava um perfume de jasmim, bastante delicado. Embora ela fosse bem menor que ele, erguia o rosto para tentar intimidá-lo e sustentar o olhar do Escorpião.
    Mas ao ouví-lo sugerir que ela poderia 'tentar resolver' o problema dele, Jully emitiu um ruído muito parecido com um rosnado. Ela então deu-lhe as costas, decidida a ignorar a proposta infame.Mas parou no meio do caminho e voltou até ele, bufando:
    -E você acha que eu ia perder meu tempo com tão pouco, Senhor Velocidade da Luz!? Só ouvi comentários péssimos sobre seu desempenho!-Disse Jully.
    Ela riu novamente, mas se recompôs rapidamente ao seu nervosismo característico, esbravejando, enquanto fechava o punho e o lançava com violência em direção ao rosto do cavaleiro de ouro:
    - MORRA MIRO.
    Miro percebeu a irritação e a tentativa da amazona em acertar-lhe, mas enfurecido com o comentário sobre seu desempenho sexual, usou toda a sua velocidade para agarrar o punho de Jully
    -O que você disse?-Perguntou Miro.
    Ele não tinha muito medo da amazona de Cobra. Sabia que ela era forte, provavelmente a mais forte entre todas as amazonas e muito mais poderosa que muito cavaleiro de prata. Mas Miro era o cavaleiro de ouro de Escorpião e dessa vez, o comentário de Jully tinha passado do limite.
    Puxou Jully com violência para perto dele e com o seu braço livre, agarrou a cintura da amazona, prendendo também o outro braço dela perto de seu corpo.Falava perto do ouvido de Jully, num tom quase de ameaça. Miro não sorria mais, apenas segurava a guerreira com muita força perto de seu corpo.
    -Tome muito cuidado com o que você insinua sobre mim. Se continuar com essas histórias, vai ter que tirar a prova.-Disse Miro.
    Jully deixou que ele a apertasse junto dele e sabia perfeitamente que seu último comentário havia pisado na honra do escorpiano tanto quanto ele gostava de fazer com ela. Conteve a reação inicial depois de ouvir as palavras dele, notando que havia encontrado um meio de desestabilizá-lo e que precisava explorar melhor o 'orgulho ferido' do cavaleiro.
    Por trás da máscara, um sorriso traiçoeiro surgiu em seu rosto. Ela não tentou em momento algum se livrar da imobilização imposta por ele, pelo contrário, pareceu deixar que seu corpo ficasse completamente solto nos braços dele. O perfume da amazona envolvia ambos, como um suave veneno.
    Jully observava o ritmo cardíaco de seu adversário, mimetizando o seu próprio para enganá-lo.Assim ela respirou fundo, sussurrando pra ele:
    - Então prove... Prove que são só especulações. Mas sinceramente, eu acho que você não é herói o suficiente pra mim... Nunca vai ser, Miro.-Disse Jully.
    'Você gosta de jogar sujo, Miro... Vou te dar o que você merece, seu desgraçado!'-Pensou Jully.
    Após terminar sua fala, a amazona de cobra começa a roçar a perna direita junto à dele, o som do tecido da polaina no metal da armadura, subindo até a cintura do Escorpião lentamente... Feito uma serpente envolvendo sua presa.Era para ser mais uma brincadeira. Ela deveria ter ficado furiosa e tentando se soltar dos braços do cavaleiro de Escorpião, enquanto ele quase enfartaria de tanto rir.

    Mas o “tiro saiu pela culatra” e agora o cavaleiro estava lá, quase congelado. Não conseguia acreditar que finalmente Jully tinha cedido aos seus encantos.
    Não podia ser verdade, ainda mais dizendo que ele jamais seria “herói o suficiente”.
    [color:46c1=violet.]“Essa cretina só pode estar de brincadeira."-Pensou Miro.
    Miro tremia, completamente sem paciência. O estranho é que ele adorava perder a paciência com Jully. Sentia uma espécie de prazer em se irritar com a amazona. E irritá-la também.Não poderia deixar a brincadeira terminar, com Jully sendo a vencedora.E aquela perna dela estava realmente a ponto de fazê-lo perder a elegância.
    “Ahhh garota, você não sabe com quem está lidando...”-Pensou Jully
    Miro baixou sua cabeça e respirou fundo, muito próximo ao pescoço de Jully. Quase colou sua boca no ouvido da amazona e disse num sussurro:
    -Só vou provar alguma coisa ou acreditar em você quando essa sua máscara cair. Aí você vai conhecer quem realmente é o Miro.
    Terminadas suas palavras, o cavaleiro soltou Jully e a afastou, sem nenhuma cerimônia. Virou-se ficando de costas para ela, dando alguns passos. Tremia. Alguma coisa teria que ser quebrada em mil pedaços, alguém teria que aparecer para ser seu saco de pancadas, ou ele iria pirar.
    - Agora some da minha frente que preciso arrumar essa bagunça. – gesticulou, mostrando o monte de entulhos que antes eram a Casa de Escorpião.-Disse Miro.
    Jully deu uma sonora gargalhada quando Miro a afastou de si. Finalmente ela havia descoberto um modo de tirar o Escorpião de seu eixo, após milhares de outras tentativas falhas.Ela o observou recuar, transtornado. Sabia que o tinha atingido no ponto mais frágil e aquele jogo de ironias ficava cada vez mais interessante para ela, uma vez que se sentia vitoriosa. Jully sempre gostou de brincar com o perigo.
    -Está com medo de mim, Miro?-Perguntou Jully.
    Então a amazona ignora o pedido nada gentil para que ela se retire, dando a volta no cavaleiro, ficando frente à frente com ele:
    - Logo seremos vizinhos, sabia? Acho melhor você baixar sua bola, se não vou ter que te colocar no seu lugar, herói.-Shina diz entredentes, cheia de ironia.
    Ela então se aproxima mais, colocando a mão sobre a própria máscara, soltando-a do rosto. Ela a deixa a menos de um centímetro de rosto e abaixa, revelando apenas seus belos olhos para o cavaleiro de Escorpião.
    -Minha máscara não precisa cair para eu saber quem você é, Miro... Você é só um inseto covarde e arrogante, que gosta de falar muito e fazer pouco.-Disse Jully.
    A amazona dá uma piscadinha, antes de encaixar a máscara no rosto novamente.
    E ela ri novamente de uma forma debochada, dando as costas à ele, com um ar vitorioso:
    -Agora limpe essa bagunça.-Disse Jully apontando para o monte de entulho, em um tom imperativo enquanto começava a se afastar.
    A sim. Miro não poderia ter imaginado olhos mais belos para aquela cretina. Jully era um verdadeiro paradoxo: curvas, perfume e olhos muito sedutores, dignos de uma mulher maravilhosa. Mas em contrapartida, o gênio, a força e a grosseria eram os mesmos de um homem das cavernas.
    O cavaleiro de Escorpião não se conteve quando a amazona lhe dirigiu a palavra, ordenando que ele arrumasse o que antes era a Oitava Casa.
    -O quê?-indagou o cavaleiro.
    Nesse momento, a raiva e a indignação de Miro passaram para outro nível. Agora ele ria descontroladamente da petulância da garota.Miro pegou o braço da amazona e virou-a, ficando cara a cara com ela. Sua unha escarlate encostava, ameaçadora, embaixo do queixo de Jully.Segurou forte o queixo de Jully. Não queria perder o controle, mas estava sendo bastante difícil.
    - Você sabe muito bem que eu posso quebrar essa sua máscara em mil pedaços a hora que eu quiser. Outro detalhe: Eu não sinto nada por você Shina. NADA.-Disse Miro.
    Era mentira, principalmente a parte em que Miro não sentia nada pela amazona. Mas ele não se importaria de mentir para magoar a cobra que lhe despejava tanto veneno.
    Jully já esperava pela reação agressiva de Miro. De certa forma, já havia se dirigido à ele daquela forma justamente com essa intenção.Sentiu os dedos do cavaleiro se apertando em seu braço e o puxão bruto.A príncipio, ficou em silêncio enquanto ele se dirigia à ela ameaçando-a com a agulha escarlate em seu queixo. Enquanto ele falava, podia se sentir a elevação súbita do cosmo da amazona.
    - É melhor tirar o seu ferrãozinho de mim... E nem mencione minha máscara, seu... Seu...
    Jully energizou rapidamente seu corpo, inicialmente gerando pequenas descargas elétricas que corriam pelos seus punhos. Não terminou de dizer sua ofensa, tamanha raiva sentia por ele ter ameaçado romper sua máscara. Sua posição inicialmente tranquila e vitoriosa transformou-se rapidamente na mais genuína fúria que Miro já vira naquela mulher.
    - Só há dois motivos para você quebrá-la. Querer a mim, ou querer a morte... Penso que você não quer nenhum dos dois, cavaleiro.-Disse Jully.
    Como em uma explosão, a amazona de cobra emitiu uma descarga elétrica poderosíssima em torno de si e em direção à Miro, na intenção de eletrocutar o cavaleiro de Escorpião.Ao longe, dois sentinelas do Santuário observavam a luta, conversando baixinho entre si:
    -Parece que dessa vez a briga é mais séria, será melhor avisar o Mestre?
    O outro sentinela deu de ombros, sem se importar muito:
    É hoje!
    Miro sentia o cosmo da amazona se alterando, mas jamais pensou que tivesse a irritado ao ponto da mesma tentar atacar ele daquela maneira. Não fora uma boa idéia subestimar a loucura de Jully...Com toda sua velocidade, tentou saltar para trás, tentando desviar o golpe, mas mesmo assim esse lhe pegou de raspão, desequilibrando o cavaleiro e o fazendo cair.
    Sua armadura dourada e seu cosmo poderoso não deixaram o golpe de Jully fazer grandes estragos. Mesmo assim, Miro ainda sentia a dor e a tensão nos músculos de suas pernas, onde o golpe tinha lhe acertado.
    Levantou devagar, sentido aquela dor incomodativa em seus músculos. Mas o que realmente estava ferido era o orgulho do cavaleiro... e agora ele estava enfurecido, louco para fazer sua oponente sofrer.
    -Você vai se arrepender por cruzar DE NOVO meu caminho...
    A unha do dedo indicador de Miro tornou-se longa e um brilho escarlate cobriu-a. Iria fazer Jully chorar e lhe implorar piedade.Lançou-se em direção á amazona e uma linha vermelha se formou em direção a uma das pernas dela.
    - Grrr!!!-Gemeu Miro.
    Não pode conter um riso de satisfação quando viu que o cavaleiro de Escorpião havia recebido uma boa parte de sua descarga elétrica. Sabia que a velocidade dele, acrescida da proteção que a armadura dourada oferecia, amenizaria bastante o impacto do golpe, mas ainda assim, deveria doer.Mas nunca, em seus mais secretos desejos, Jully imaginou que derrubaria o cavaleiro de Escorpião. Ver aquela cena a inflamou por dentro, ela havia ganhado o dia. Era melhor que comer chocolate num dia frio, enrolada no edredom.Imaginou o quanto o orgulho dele estaria ferido depois de desequilibrar-se diante dela.
    -'Acho que ele não esperava por isso... Confesso que tenho medo da retaliação...'-Pensou Jully.
    Embora quisesse brincar com a situação, Jully mordeu a boca para não rir novamente. Estava tensa.E quando ele levantou lentamente, Jully pode observar a expressão transtornada de Miro. Nunca havia visto estampada no cavaleiro de Escorpião, tamanha raiva. Quando o viu erguer o indicador contra ela, imediatamente um calafrio percorreu sua dorsal.
    -Miro..!?
    Quando Jully tentou se mover para se esquivar, a agulha já a tinha atingido. Ele posuía uma velocidade realmente impressionante, pouco restava à amazona a não ser receber o golpe e manter-se dignamente diante dele.No primeiro segundo a amazona sentiu um imenso calor no músculo da coxa esquerda e depois uma dor intensa, insuportável, que a fez cair ajoelhada imediatamente.
    -ARGH... SEU..Seu animal!Irá Pagar por isso!-Gritou Jully.
    A garota diz cerrando os dentes, enquanto estancava o ferimento com a mão. Não acreditava que ele teria sido capaz de usar aquela técnica sádica contra ela. Só desejou de todo coração que ninguém estivesse vendo aquilo...
    Ao ver Jully de joelhos, Miro sentiu-se vingado. Uma espécie de alívio tomou conta de seu corpo. Ia sorrir, mas ouvir a amazona lhe chamar de... animal.
    "Animal?... ANIMAL???”-Indagou o cavaleiro.
    Foi como um balde de água fria. Afinal, o que ele estava fazendo? Tinha aplicado na amazona uma de suas melhores técnicas só porque ela havia ferido seu orgulho. Agiu como se não fosse um adulto, um guerreiro respeitável. Agiu como um animal.
    -Por Athena Jully, o que estamos fazendo?-Disse Miro.-Argh. Bem, lhe proponho uma trégua, antes que acabemos nos matando.Vamos, eu lhe ajudo, nem dói tanto assim.
    Deu alguns passos até aproximar-se da amazona, ainda sentido dor em suas pernas.Agachou-se para ficar na mesma altura em que estava a amazona e lhe estendeu a mão, ainda com a unha escarlate..Jully respirou fundo, olhando para os lados, certificando-se de que não havia mais ninguém ali por perto.A garota mantinha os dentes cerrados e a sua perna doía tanto que dava vontade de cortá-las
    - O que estamos fazendo? Eu estou me defendendo! Você sempre me critica, me olha feio, me destrata!
    Desabafou, enquanto ele se aproximava ainda falando com ela. Então ela ri pra ele, de forma sincera daquela vez,Jully o escuta propor uma trégua e oferecer-se para ajudá-la.
    - Não dói em você, né... Trégua? Eu e você em paz?
    Chegava a ser impensável, ela e Miro sem se estranhar pelos cantos do Santuário. Mas poderia ser uma oportunidade única,Jully teve uma idéia enquanto observava o semblante do Escorpião encarando-a.A garota então estendeu a mão e selou a trégua com Miro, acalmando seu cosmo furioso.Jully e Miro se davam as costas e voltavam para seus postos, para que em vez de se enfrentarem, enfrentassem seus adversários que ali pisassem tentando matar Athena.
    avatar
    Lawliet
    Game Master

    Mensagens : 241
    Data de inscrição : 25/02/2012
    Idade : 20
    Localização : Rio de Janeiro

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Lawliet em 10.08.12 16:32



    + 450 de Experiência / 750 de Dinheiro
    avatar
    Jully De Peixes
    Players

    Mensagens : 17
    Data de inscrição : 09/08/2012

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Jully De Peixes em 10.08.12 20:48

    Jully despertou assim que a luz do dia iluminou seu quarto. Deu-se ao luxo de ficar alguns minutos a mais na cama quentinha, que a convidava para não sair de lá tão cedo. Revisou mentalmente todas as tarefas a serem executadas no dia que se iniciava.Encontrou-se com Marin no acampamento das amazonas, tomaram o desjejum juntas, quase que em silêncio. Juntas, foram até uma pequena baía que se formava perto do acampamento para se banharem. Lá riram, conversaram sobre os bastidores do Santuário, trocaram segredos, confissões... Lixaram as unhas, cuidaram dos cabelos. Deixavam que seus lados femininos sobrepujassem a vida marcada por combates e treinamentos severos.Faria o combinado com gosto, defendendo o Santuário de qualquer invasor que ousasse ultrapassar aquele limite.Mas o sol morno da manhã em sua pele e a brisa do mediterrâneo nunca foram tão entediantes.Neste momento, o Comandante das tropas do extremo norte da Europa encontrava-se em seu café da manhã. Solitário, desjejuava em paz, conforme ia traçando em sua mente os próximos passos a serem dados dentro do que Hilda de Polaris, sua soberana, havia lhe indicado. Detinha em mãos uma fundamental missão que não poderia ser executada por ninguém mais senão pelo mais fiel e leal de todos os Guerreiros Deuses: o lendário, mítico e tido como o mais poderoso entre os de sua horda. Aquele que desafiou a maior e mais poderosa das bestas de sua época tendo como ferramentas uma armadura, um cavalo e, mesmo em desvantagem nítida, empunhou Balmung com seus punhos de aço e decepou a cabeça do imenso Dragão Fafnir, banhando-se em seu sangue e consagrando-se assim com o mito que o revolvia até os dias presentes. Não, ele não pode ser descrito pelo tempo ou por qualquer que seja o prosador que narra suas epopéias com nada menos do que fantástico ou, de forma mais direta, Imortal.Longos minutos permaneceu ele recluso somente as suas memórias, repassando a missão passo a passo, conforme lhe foi instruído. E então partiu, deixando o Palácio Valhala sob a proteção dos demais guerreiros deuses e sob o comando do segundo oficial entre os Guerreiros Deuses Shido de Mizar. Despediu-se adequadamente daqueles que por ventura cruzaram seu caminho, e rumou na direção do avião que o levaria até a Grécia. Sim, ele teria o prazer de ver o sol e contemplar as temperaturas mediterrâneas pela primeira vez em sua vida, justamente quando precisava ir até o Santuário de Athena para, em nome de Hilda de Polaris e de Asgard, solicitar a presença da grandiosa deusa da sabedoria grega em solo nórdico para uma conferência com a soberana da sua terra natal, onde assuntos mais importantes, que não cabem e não devem ser de conhecimento dos demais soldados seriam tratados.
    -“Hilda... Asgard... Tenham certeza que eu jamais falharei.”-Pensou Siegfried.
    Durante a viagem nada conversou com o piloto e as demais pessoas que viajavam consigo e que se colocavam a serviço do grandioso general nórdico. Educado e simpático em sua postura, apenas preferia o silêncio e respondia de forma cordial aos questionamentos que lhe eram dirigidos, evitando alongar-se em qualquer diálogo desenvolvido. Aquele era o guardião da Estrela Alfa: um homem forte, de poderes inimagináveis, orgulhoso de tudo o que representava e era. Mas ao mesmo tempo, um ser humano com um grande coração, polido em sua postura fora do campo de batalha. Um homem regido pelos ditames da educação antiga, onde o exercício da cordialidade diante dos demais sem sombra de dúvida era a forma mais adequada de se portar. Um indivíduo que carrega consigo a bondade no coração, fiel e leal ao seu país, a sua soberana. Um homem honrado acima de tudo, e orgulhoso por ostentar consigo mais do que um nome...Um título. Ele era Siegfried, o Herói Imortal Mitológico do Norte da Europa, a Estrela Alfa e o General e Comandante de todas as forças de Asgard.
    -"Cheguei...Finalmente.”-Disse Siegfried para si mesmo.
    Desembarcou então tranquilamente o Guerreiro Deus em questão. Locomoveu-se até as intermediações do Santuário sem se preocupar. Revestido pela sua indumentária divina armadura, observava as temperaturas quentes que sentia em seu corpo e o suor produzido pelo calor. Aquilo era de certa forma novidade para si, ainda mais para um nórdico desacostumado com tanto calor. A incidência de luz que para seus costumes era absurdamente incômoda fazia com que a visão do asgardiano se ofuscasse em um primeiro momento. Certamente um homem que vive em uma terra onde o sol não é presença habitual teria problemas com a fotosensibilidade, ainda mais por ter olhos tão claros por alguns instantes, até que sua visão se acostumasse. Fazendo uma careta para fechar um pouco os orbes, seguiu caminhando e observando as ruínas do Santuário. Era de fato algo belo, relíquias da humanidade. Estava admirado, até que seus olhos se acostumaram com a luminosidade do local. E então ele pode retirar as mãos da face.
    -“Apesar do calor, a Grécia realmente é um belo local. As ruínas do Santuário são de fato tão magníficas pessoalmente, até mais do que eu imaginava.”-Disse Siegfried para si mesmo.
    Seguiu caminhando. Não parecia apressado, ou sequer incomodado com o calor. Aos poucos seu corpo ia habituando-se aquelas condições climáticas tão adversas para si. Com certeza levaria dias, quem sabe meses até estar totalmente acostumado com aquilo, mas o que não pode ser negado é que o primeiro choque climático que havia sentido em seu corpo já se amenizava vagarosamente. Por precaução, carregava água em um cantil consigo. E bebia um pouco vez ou outra, para hidratar sua estrutura física. Ao contrário do que se pode imaginar, Siegfried havia estudado a Grécia e os inimigos naturais que poderia enfrentar ali. E o calor e a desidratação que poderiam lhe abater eram os mais perigosos obstáculos, assim como os Cavaleiros de Ouro.
    -“Duvido que entendam os motivos que me trazem aqui e permitam que eu fale com Athena pessoalmente sem uma provação. Por isso Hilda me enviou: ela precisava ter a certeza de que sua mensagem chegaria a Deusa da Sabedoria através de alguém que ela confia. E a mensagem chegará. Seja por meios pacíficos... Ou pelo sangue.”-Disse Siegfried para si mesmo.
    Tinha conhecimento pleno das atividades do Santuário. Da divisão dos guerreiros que ali treinavam e demais aspectos técnicos. Passou uma semana estudando as minúcias e peculiaridades culturais daquele local antes de partir em viagem. E estava bem instruído.
    -“Pensei que o Santuário de Athena fosse mais bem protegido. Já estou caminhando neste chão há alguns minutos e não vi sequer um soldado defendendo o perímetro. Vergonhoso.”-Disse Siegfried para si mesmo.
    Seguiu então sua caminhada. Uma vez mais bebericou um pouco de água, e então observou que uma pessoa estava sobre um rochedo ao longe.
    -“Finalmente alguém!”
    Seguiu deslocando-se cautelosamente. Conforme ia aproximando-se, captava mais detalhes acerca dos aspectos físicos da pessoa em questão. Os contornos do seu corpo eram mais suaves do que os de um homem. Apesar de longilínea e do uso da máscara, era impossível não observar aquela pessoa como uma mulher, o que de fato era.
    -“Ela deve ser uma das amazonas do Santuário. As mulheres-cavaleiros, que usam uma máscara em suas faces como sinônimo de abandono de sua feminilidade em prol da dedicação de suas vidas, seus corpos e suas almas na defesa de Athena, como fazem os homens. De certo se trata de uma mulher com muita fibra.”-Pensou Siegfried.
    E então ele, cortês e gentil, aproximou-se um pouco mais. Não gritaria, não atacaria sem motivos. Retirou o elmo de sua indumentária da cabeça, e repousou então o cantil de água próximo de si, ao chão. Segurou o elmo com seu braço esquerdo, junto ao tórax como é de costume e então se dirigiu a mulher educadamente.
    - Senhorita! Perdão pelo incômodo. Poderia, por favor, me indicar a direção do Templo de Athena?-Disse Siegfried dirigindo-se para amazona.
    O nórdico então manteve sua postura altiva e firme, mas esboçou um fino sorriso. Um sinal amistoso. Afinal as palavras de Hilda haviam sido claras: o Santuário não era um inimigo de Asgard, mas sim um poderoso aliado. Por mais que em sua mente nenhum guerreiro ali pudesse superar seu próprio poder, deveria agir com cordialidade. Ainda mais diante de uma mulher.
    Jully observou a aproximação do estranho sem esboçar reação, embora seus olhos se estreitassem por detrás da máscara. Notou que parecia sentir-se desconfortável a princípio, mas logo se recompunha. Embora o observasse a algum tempo, percebeu que só foi notada quando o homem já estava mais próximo.
    -"Que guerreiro estranho... Com certeza não é das proximidades, pois nunca vi uma armadura e um cosmo como o dele por aqui... Que sorte estar logo nesta área."-Pensou Jully.
    Ela cerrou os punhos, acompanhando cada movimento do guerreiro-deus. Ouviu suas palavras polidas e desceu do rochedo em seguida, dirigindo-se ao seu interlocutor.Caminhou até uma distância que considerou segura, seus passos ritmados e o andar sinuoso e feminino como o de uma mulher comum. Era silênciosa embora estivesse usando salto alto. A brisa trazia até o nórdico o suave perfume de lavanda que emanava dela. Não era muito alta, mas parecia exalar uma imponência bélica que dificilmente ele já teria vislumbrado em alguma outra mulher.Ela o observou em silêncio por alguns instantes, sem esboçar agressividade. Então se dirigiu a ele da mesma forma, educadamente.Sua voz límpida emanava por detrás da máscara opaca, que mantinha oculta suas verdadeiras expressões.
    - Quanta inocência julgar que eu iria te indicar o caminho para o Templo de Athena. Não sei quem é você, o que o traz aqui...Muito menos a mando de quem você veio de tão longe. É óbvio que você não pertence às proximidades.Posso ver que está suando, num dia tão ameno.-Disse Jully dando uma breve risada.
    - Se você tem um recado, ofício ou carta para minha deusa, entregue-a para mim agora e eu levarei em mãos. Mas sua entrada não é permitida e sua presença não foi anunciada previamente, portanto não deixarei que avance mais. Caso insista, serei obrigada a tomar medidas severas.-Disse Jully com uma voz serena, mas adota uma postura de combate.
    Afasta as pernas, alternando sua base de apoio sem que isso fosse percebido. O equilíbrio era perfeito, como de uma bailarina. Ergueu a mão direita à frente do rosto, mostrando as garras escuras, aguçadas como navalhas.
    - Não irei advertí-lo novamente, forasteiro.
    “O que!? Ela me desafia a um duelo!? Nota-se que esta mulher não faz idéia com quem está falando.”-Pensou Siegfried surpreso.
    Foi este o pensamento que surgiu inicialmente em sua mente. Porém, aos poucos, começava a compreender os motivos que levavam Jully a agir daquela maneira. Ficava satisfeito por perceber que suas previsões estavam corretas. Mas impressionava-se pela audácia de ela mesma erguer seu punho em sua direção. Permaneceu alguns poucos segundos então imerso em seu interior, em seus pensamentos, observando a amazona ali, parada a sua frente em posição de combate. E então, educado, esboçou um fino sorriso, como se estivesse constrangido.
    - Perdão pela minha indelicadeza, senhorita. Meu nome é Siegfried, sou um Guerreiro Deus vindo do norte da Europa. Trago comigo a mensagem de minha soberana, Hilda de Polaris, destinada exclusivamente a Deusa Athena. Lamento pelo incômodo, mas minhas instruções são claras: Devo entregar a mensagem a vossa divindade pessoalmente.-Disse Siegfried.
    A educação do nórdico era uma de suas virtudes, especialmente no momento em questão. Preferiu apresentar-se e agir de acordo com os ditames corretos, sendo minimamente cortês. Criado como dito anteriormente sob as normas da educação antiga, jamais permitiria a si mesmo duelar com uma mulher. Não por menosprezar o potêncial da amazona ou então desacreditar que ela fosse uma adversária a altura. Negativo: tais pensamentos jamais figurariam na mente do herói. A verdade é que se tratava de uma questão ética, moral. Até mesmo um aspecto ligado a sua honra. Sabia que mesmo que ela pudesse ter um cosmo poderosíssimo, fisicamente ele sempre se sobrepujaria. Não obstante, as mulheres na concepção do asgardiano eram criaturas que deveriam ser protegidas, cuidadosamente veneradas e agraciadas pelos adornos do carinho, da delicadeza e do amor. Por mais que admitisse a existência de guerreiras, ele se negava a combater com uma, pois jamais conseguiria erguer os seus punhos com fins violentos contra uma dama. Mesmo uma amazona. Pois sabia que independente do treinamento e preparação que estas mulheres possuem, por detrás da máscara ainda existia um rosto de feições femininas, delicados, belas.
    Por favor, senhorita... Não complique as coisas.-Disse Siegfried.
    Após ter direcionado as palavras a amazona, abaixou-se. Tomou nas mãos o cantil e bebeu um pouco mais de água, repousando-o novamente no chão.
    -Peço gentilmente que entenda minha posição, senhorita. Não vim até aqui na condição de inimigo, mas sim de aliado. Não faço idéia de que assuntos minha rainha deseja tratar com a grandiosa Deusa deste Santuário. E para ser sincero, estes assuntos não me dizem respeito. Desejo apenas cumprir a missão que me foi dada e... Eu não gostaria de ter que duelar com a senhorita... Porém...-Pausou-se Siegfried.
    Fez uma breve pausa. Observou então os olhos do dragão no elmo que segurava em suas mãos, e então o grandioso cosmo do guerreiro do norte emergiu do interior do seu corpo. Lentamente, colocou o adereço de sua indumentária na sua cabeça ,já envolto por sua poderosa energia cósmica adotando uma expressão mais séria, menos gentil.
    -... Se tiver que combater convosco, tenha a certeza de que o farei.-Disse Siegfried agora com uma expressão mas séria.
    Diante daquelas palavras, sentia o coração doer no peito. Por mais que Siegfried fosse um herói guerreiro, amante dos duelos, era complexo para si especialmente para sua essência cavalheiresca ter de levantar suas armas leia-se: punhos contra uma dama. Ainda mais ele, que sempre foi tido como o maior exemplo de cordialidade e gentileza incrustados em uma pessoa por toda a vastidão de Asgard. A Estrela Alfa era admirada não apenas pelo seu grandioso poder, mas também pela sua postura diante dos fatos, pela sua frieza e racionalidade diante dos problemas e pela sua generosidade e bondade à frente dos necessitados de seu povo. Um verdadeiro herói.
    -Então senhorita, eu suplico uma vez mais: desistamos desta idéia de duelar. Um combate é totalmente desnecessário, e eu sinceramente não gostaria de machucá-la.Suplicou Siegfried.
    A elevação cósmica que proporcionou era mero instrumento para impressionar a amazona. Obviamente o seu verdadeiro poder assombroso e lendário entre o seu povo estava resguardado. Enquanto falava, focava diretamente a face mascarada da amazona, e já começava a surgir em seu âmago uma ponta de curiosidade a respeito da face que se escondia por detrás da máscara metálica.
    -“Seria esta amazona uma bela mulher? Não posso negar que estou curioso e que gostaria de ver o rosto dela. Mas... Não. Melhor não. Devo respeitar as tradições e culturas do povo deste solo.”-Pensou Siegfried curioso.
    E então, cessou aquele brevíssimo devaneio que lhe tomou em decorrência do incessante observar que direcionava a amazona, em sua máscara. Mesmo diante de uma guerreira prostrada em posição de combate, apenas cruzou os braços a frente do corpo, esperando uma resposta e torcendo para que ela aceitasse sua proposta, apesar de ter certeza de que receberia uma negativa.Jully observa todas as expressões de seu adversário, cautelosa. Se mantém em absoluto silêncio enquanto ele se dirige à ela, apenas resguardando sua posição ofensiva. Não pareceu hesitar por nenhum momento, tampouco expressar medo. Pelo contrário, se seu rosto não estivesse coberto ele notaria um sorisso de satisfação.
    - Eu sou Jully de Cobra, amazona de prata e defensora de Athena. Deve imaginar que todos os dias recebemos muitos visitantes com notícias urgentes para nossa deusa.E em sua maioria o que eles desejam é uma chance de ceifar a vida de nossa protetora.Acho estranho que sua vinda não tenha sido noticiada anteriormente, portanto se quer que sua mensagem seja entregue, deixe-a comigo! Não arriscarei a vida de minha deusa!-Disse jully.
    Ela o observa beber água novamente e repousar o cantil no chão.
    -"Esse homem está sofrendo com o calor da Grécia. É a segunda vez que o vejo beber água em tão pouco tempo... E logo seremos agraciados com o sol do meio dia, que aliado com a maresia e o calor das rochas calcárias irão aumentar ainda mais a sensação térmica. Suas vestes e armadura parecem pesadas e quentes... Ele está transpirando demais. Que sorte a minha..."-Pensou Jully.
    Jully o vê ameaçando-a, embora pudesse notar nos olhos dele que era verdadeiro em dizer que preferia evitar a luta. Ela apreciou a demonstração de poder dele como quem assiste a um bom espetáculo.Um sorriso ardiloso tomou conta do rosto dela e ele poderia notar que ela debochava de sua ameaça. Em seguida, um brilho cor de sangue surgiu através da máscara de Jully, que desferiu um golpe seco e rápido com as garras. Porém o alvo não era Siegfried, e sim o cantil que estava ao chão. Se o deixasse sem água, provavelmente logo ele estaria desidratado com o sol do mediterrâneo, com o qual não estava acostumado.
    -Sua fama o precede, ouvi dizer que você é imortal... Será que é verdade?-Disse Jully irônicamente.
    Ela emite um risinho irônico e acende seu cosmo rubro. Era realmente a mais veloz e poderosa amazona do Santuário e sua fúria podia ser percebida em seu cosmo. Atrás da jovem também é possível vislumbrar a figura assombrosa de uma serpente.Então a mulher salta contra a luz do sol, na intenção de ofuscar os olhos do guerreiro deus. No ar, o braço direito canaliza força para desferir um poderoso golpe, enquanto que o braço esquerdo se mantém à frente do corpo na defensiva. Iria atingí-lo na parte superior do corpo, se tivesse sucesso.
    -NUNCA SUBESTIME UMA AMAZONA, GUERREIRO DEUS!!!-Gritou Jully.
    -Eu sabia que não seria fácil. Perdoe-me senhorita Jully, mas não me deixas outra escolha senão o combate. Neste caso, prepare-se para ser derrotada!-Disse o guerreiro calmamente.
    As palavras da amazona lhe trouxeram breves momentos de tristeza e conflito interno. Era acima de tudo um amante da paz, e quebrá-la lhe perturbava. Não obstante, seria forçado a duelar contra uma dama, pois se não o fizesse estaria colocando sua vida e a eficácia da missão designada a ele por Hilda em risco. Após breves segundos silênciosos, novamente ficou surpreendido, e desta vez pareceu esboçar contentamento no que tange sua surpresa. Aparentemente sua fama estendia-se também as terras mediterrâneas, e aquilo fazia seu ego expandir-se de forma inenarrável, e seu orgulho aumentar ainda mais. Diante do golpe baixo da amazona em destruir seu cantil, apenas deixou com que os olhos acompanhassem tal situação. Sabia que estava bem hidratado devido a quantidade realmente impressionante de água que havia ingerido desde que chegara até a Grécia. E ele, um guerreiro tão bem preparado e astuto, com certeza estava preparado fisicamente para suportar as condições mais adversas, mesmo o calor.
    - É um enorme e inenarrável prazer conhecer uma amazona tão convicta como vós, senhorita Jully! Fico realmente contente em saber que minha fama expande-se até mesmo a locais tão distantes de Asgard, como a Grécia. Não costumo falar disto abertamente até que meus adversários descubram por si só a veracidade do mito que envolve meu nome, minha alma e minha existência. Mas dizem por aí que o verdadeiro espírito do herói mitológico corre nas minhas veias, alimenta a minha essência e aniquila os meus adversários. Vais mesmo querer descobrir por conta própria se é verdade ou mentira o que dizem por aí?-Perguntou Siegfried.
    Por mais que naquele momento, em que desafiou a amazona de forma direta e aberta tenha deixado seu orgulho falar mais alto, nitidamente sua postura não era totalmente inclinada a satisfação de sua alma devido ao início de mais uma luta. Estava em conflito rápido e que seria solucionado brevemente devido a sua fidelidade com Asgard interno, pois realmente não ansiava por ferir uma dama, ainda mais tão corajosa como Jully tinha aparentado ser até então. De certa forma, era previsível como a amazona reagiria. Era evidente que diante de uma situação em que ela se mostrava muito mais agitada e animada que ele próprio, a iniciativa para o combate partiria da guerreira. Então, observando atentamente sua adversária, Siegfried presenciou o momento em que ela saltou aos céus. E sua reação instantânea foi focar-se no deslocamento da massa cósmica central de Jully. Sabia que olhar para o céu era tolice, ainda mais porque vinha evitando tal atitude especialmente pela sensibilidade dos seus olhos. Desta forma, diante da investida aérea de sua algoz, a reação do asgardiano foi muito mais singela do que podia-se imaginar dele: por mais ágil que fosse Jully, era lógico que seus movimentos não poderiam enganar e nem surpreender, não naquele instante, um general como Siegfried, treinado das mais diversas formas e maneiras nas artes da guerra. Desta forma, quando sentiu a massa cósmica da amazona no início da sua descida, moveu-se rapidamente para frente, saindo o raio de alcance da guerreira, esquivando de sua investida.
    -Uma vez mais lhe peço perdão, nobre amazona. Gostaria que soubesse que não quero combater convosco. Mas neste caso, querer não é poder.-Relembrou Siegfried.
    Quando se alocou no ponto perfeito de sua esquiva o mais próximo possível permitido e seguro da amazona abriu os olhos e então se virou. Logo a amazona tocou o solo e naquele momento mísero estaria com a guarda aberta e Siegfried, veloz e astuto, aproveitou-se da pouca distância entre eles para jogar o peso do seu corpo e do seu cosmo gélido e muito mais intenso do que no momento da singela demonstração sobre Jully. Veloz, jogou o braço esquerdo estrategicamente sobre o ombro esquerdo da amazona que possivelmente desceria de costas para ele e calçou-a pelo pescoço iniciando um movimento denominado gravata com o braço esquerdo. Em simultâneo ao movimento supracitado, utilizou da rapidez para entrelaçar o braço direito junto ao dela, pegando assim sua mão e imobilizando o braço direito da guerreira junto as suas costas. Feito isso rapidamente apertou com tenacidade o movimento e suspendeu a amazona do chão, utilizando da gravidade para enforcá-la ainda mais e de sua própria força para puxar o braço direito dela imobilizado para cima, causando dor e a possibilidade de quebra do membro. Junto a isto, intensificou ainda mais sua energia cósmica, poderosa, realmente gélida e certamente impressionante.
    -Por favor, senhorita Jully. Esta é a última oportunidade que lhe concedo para que evitemos um combate desnecessário. Se insistires nele...-... Serei obrigado a lhe mostrar porque sou o General e Comandante Militar Supremo das forças do Norte.
    Sabia que ela não desistiria, mas precisava tentar de todas as formas possíveis persuadi-la a abandonar aquela loucura. Por mais poderosa que Jully pudesse ser, Siegfried tinha certeza que venceria sua desafiante até porque seu orgulho extremo jamais lhe permitiria pensar o contrário. Desta forma, apenas permaneceu ali, junto a ela. Como forma de mostrar ainda mais a baixa temperatura que sua energia representava, trouxe a guerreira o mais próximo de si possível, porém sem comprometer a técnica de imobilização que executava. Por mais gélida que aquela energia fosse, era um cosmo confortante, repleto de bondade. Mas que nitidamente estava preparado para explodir e tornar-se agressivo, violento e impiedoso.
    -E então senhorita... Podemos chegar a um consenso por forma de um diálogo racional ou teremos de agir como dois animais e lutarmos até a sua iminente derrota? E entenda... Não estou lhe menosprezando, afinal conheço o poder das amazonas e quão valorosas são, mas... Entenda... Existe um universo de diferença entre nossos poderes e... Eu não quero me fazer valer desta diferença e lutar convosco.
    Aquele último pedido, onde clamou pela compreensão de Jully, soou com tristeza. Por mais orgulhoso que fosse de suas capacidades e poderes, duelar com uma dama feria sua honra de guerreiro e acima de tudo, de homem. Seguiu apertando o movimento e em especial a gravata, onde exercia uma pressão quase sobre-humana junto ao pescoço da dama, mas o suficiente para deixá-la balbuciar algumas poucas palavras que seja e elevando sua energia, pois estava alerta e pronto para reagir a qualquer tentativa de liberdade daquela mulher.Assim que tocou o solo, Jully teve condições apenas de olhar para trás e observar o contra ataque do guerreiro deus. Sentiu a mão do inimigo muito mais veloz do que ela passar por seu ombro e envolver seu pescoço, da mesma forma que sentiu a torção em seu braço. A dor abrupta a fez fechar os olhos e apertar os dentes para não gritar.
    -"Ele tem um cosmo poderosíssimo, como os cavaleiros de ouro... Falhei miseravelmente em meu ataque... Athena, farei meu possível para protegê-la, me perdoe se eu falhar!"-Pensou Jully.
    Jully buscou por apoio para lançá-lo ao chão, mas como ele a havia suspendido, isso se tornou impossível. A dor em seu braço e o estrangulamento estavam se intensificando e ela teria que pensar em uma forma de escapar antes que a falta de oxigênio a deixasse inconsciente. Apesar de tudo, ele pode ouvir que os gemidos que ela emitia, se assemelhavam à uma risada. O frio que a envolvia também tornava a situação mais dolorosa, mas ela jamais mostraria que estava com dor, frio ou temia qualquer coisa.
    -Desista... Você pode quebrar todos os ossos do meu corpo, mas jamais me dobrará à sua vontade enquanto eu viver...-Disse Jully com a voz enfraquecida.
    Com essa firmeza, ela demonstra que não sente medo da dor, ou mesmo da morte. Seu dever perante sua deusa encarnada era muito mais importante do que qualquer desejo egoístico de esquivar-se da dor ou sofrimento.Com a proximidade ele poderia notar que a posição de amazona não tirava dela a delicadeza feminina. A pele e os cabelos eram macios e o perfume delicado, com notas sutis de lírio e lavanda. O coração acelerado, impossível de controlar ,deixava transparecer o medo que sentia de falhar com sua deusa, assim como o gosto pela batalha.Logo o cosmo dela, que até então era utilizado moderadamente para mantê-la aquecida, volta a assumir uma nuance agressiva. Ela sentia o gosto adocicado de seu próprio sangue na boca, assim como a visão começava a turvar-se pela compressão do golpe de Siegfried. Era o momento de agir.
    -Você tem olhos lindos, Siegfried...-Disse Jully.
    Então, utilizando-se de toda a sua velocidade,Jully concentra seu cosmo em sua mão esquerda criando uma intensa descarga elétrica, enquanto ergue o braço e direciona as garras diretamente para a face do General.
    -VOU ARRANCÁ-LOS!!
    -Se infelizmente essa é a vossa escolha... Ao menos terei a dignidade de lhe oferecer um combate o mais justo possível!
    Lamentou então o guerreiro deus. Era mais do que evidente que suas aspirações ao combate, naquele instante, não estavam totalmente inflamadas. Tão próximo a ela teve tempo suficiente para sentir os aromas e perfumes que o cabelo daquela mulher deixavam no ar como um rastro, e por momentos realmente breves, havia esquecido todo e qualquer propósito que lhe fez aceitar aquele duelo. E tais fatores somente faziam crescer a admiração que Siegfried passava a sentir por Jully. De fato tratava-se de uma inimiga formidável tanto no que está relacionado a sua fibra e determinação quanto aos seus aspectos encantadores femininos.
    -“Essa mulher ela... É realmente incrível. Apesar da posição totalmente desfavorável em que se encontra... Apesar do medo que posso sentir através do ritmo acelerado e frenético do seu coração... Sequer titubeia, sequer cogita a possibilidade de desistir. E mais do que isso! Mesmo guerreira, ainda conserva consigo todo o universo de minúcias e graciosidades do mundo feminino. Não posso mais negar que cresce mais e mais no meu peito a vontade de ver seu rosto.”-Pensou Siegfried.
    Porém, Siegfried não poderia dar-se ao luxo de concentrar-se nestes pensamentos superficiais. Conforme ia mantendo a pressão de seu movimento ofensivo, pode perceber claramente o elevar cósmico de Jully. E quando ela fez referência então aos seus olhos, ficou surpreso. E como forma de defender-se, jogou a cabeça para frente, golpeando com máxima força a nuca da amazona e soltando-a imediatamente da imobilização que sustentava, empurrando-a para frente. A idéia daquilo era óbvia: golpeando a amazona e empurrando-a para frente, ele cortava a trajetória do golpe, safando seus olhos de qualquer perigo que aquela descarga elétrica pudesse trazer.
    -“Não posso subestimá-la. Jully é realmente digna do posto que tem.”-Pensou Siegfried.
    Por mais que estivesse envolto ao seu cosmo e por isso protegido, especialmente devido a propriedade especial que revestia a energia da Estrela Alfa preferiu soltar a amazona justamente em detrimento a promessa que fez, onde disse que combateriam de forma justa e digna. Os resquícios de energia que evidentemente acertariam Siegfried até mesmo devido a proximidade em que estavam e ao fato de que Jully havia errado o ataque por uma margem muito pequena de espaço anular-se-iam totalmente quando entrassem em contato com o campo energético do cosmo de Siegfried. E este, observando então a amazona, acumulou uma quantidade de cosmo em seu punho esquerdo, e logo se colocou a falar.
    -Talvez eu tenha errado em pensar que simplesmente imobilizar um de teus braços fosse o suficiente para impedi-la de combater. Mas não se preocupe... Não irei mais tentar persuadi-la a desistir deste combate. Para ser franco, percebo que quando o faço, estou ferindo vosso orgulho como guerreira. Então se prepare! Pois não mostrarei piedade convosco, tampouco permitirei que atente contra a minha vida uma vez mais!
    E novamente, seu cosmo inflamou-se. Se ela estava atordoada ou não, pouca diferença fazia naquele instante. A essência guerreira que precedia o General e que fazia dele um combatente famoso havia despertado e colocado de lado ao menos momentaneamente seus preceitos cavalheirescos. Por mais que em seu coração ainda doesse muito ter de lutar contra uma mulher como Jully, tinha de passar por cima de tal moralidade para poder cumprir a sua missão. E era exatamente isso que faria. Com o punho esquerdo já energizado, logo a preencheu o punho direito com uma quantidade realmente grande de cosmo. Prestava muita atenção na amazona, pois já tinha visto como ela era veloz.
    -Concedê-la-ei então o prazer de conhecer o poder de Balmung, a arma que cortou a cabeça do Dragão Fafnir!-E então apontou o dedo indicador da mão esquerda a ela.
    Partiu então do indicador de sua mão esquerda um raio veloz e poderoso. Porém diferentemente do que a maioria dos movimentos ofensivos tinham como alvo, aquele raio tocou o chão, e de forma muito rápida um círculo foi desenhado ao redor da amazona.O baque surdo do golpe contra a nuca de Jully foi o suficiente para aturdí-la. Não soube muito bem o que aconteceu, mas se viu no chão, livre dos braços do asgardiano. Ao menos a dor em seu braço havia amenizado significativamente. Havia ficado alguns segundos desacordada.
    -"Espero não ter perdido a consciência por muito tempo... E espero que ele não tenha notado."-Pensou Jully preocupada.
    A amazona ergueu seu rosto a tempo de ver Siegfried dizer algumas palavras que ela ainda não conseguia entender, embora pudesse compreender perfeitamente a alteração no cosmo de seu oponente.
    Levantou-se, a tempo de ver o guerreiro deus disparando seu golpe com apenas um dedo. Levou os braços à frente do rosto, na tentativa de defender-se do golpe desconhecido. Ao notar o barulho ao seu lado, percebeu que não era ela o alvo principal, mas que acabara de ser circundada pela cosmoenergia de Siegfried.
    -Mas que tipo de golpe é esse..?-Perguntou-se.
    Em seguida pode ver o chão acender-se com o cosmo do nórdico. O chão se partiu formando estilhaços que foram lançados violentamente contra ela, transformando sua armadura em cacos, enquanto era lançada para o alto.Cobriu o rosto com as mãos, enquanto o corpo era severamente atingido após perder a proteção de sua armadura. Sentiu o turbilhão de energia perder força e então seu corpo agora em queda livre chocar-se violentamente contra o chão.De alguma forma, ela sentia que tivera sorte em estar viva, mesmo sem ainda poder dimensionar a gravidade de seus ferimentos, pois naquele momento todo o seu corpo era acometido por uma dor aguda.Levantou-se, contrariando qualquer estimativa. Levou a mão ao ombro ferido, sentindo o sangue quente que escorria do ferimento. Era possível tatear uma lasca de pedra cravada em sua carne.
    - É só isso o que você tem, General?-Perguntou Jully.
    Ela ri e começa a caminhar na direção de Siegfried novamente, ignorando a dor dos ferimentos e a perda de sua armadura.
    - Manda mais dois... Sem gelo, ok? Gosto cowboy.
    Permaneceu ali, altivo diante de seu triunfo. Por mais que não lhe agradasse nenhum pouco jogar uma dama ao solo por intermédio de seus poderes, havia sido forçado aquilo. Enquanto ainda observava a amazona deitada junto ao solo, com sua indumentária em frangalhos, deixou seu nobre coração ser tomado por um sentimento de culpa. E desta forma, vê-la naquele estado despertou uma pontada de remorso em seu interior.
    -Desculpe-me, por favor. Se soubesses como gostaria que a senhorita desistisse deste combate maluco... Mas não vou mais forçar. Se quer um combate para fazer jus a sua honra de amazona, eu lhe presentearei com um, como jamais presenciou em sua vida.-Disse Siegfried.
    Permaneceu ali, ereto em sua postura e firme em suas convicções. Cruzando os braços a frente do corpo, sua mente focou-se uma vez mais no perfume que sentiu enquanto estava junto a ela e na curiosidade que pouco a pouco tomava mais e mais seu interior e sua alma. Afinal, como todo bom cavalheiro, Siegfried tinha apreço por conhecer belas damas, ser gentil com elas e protegê-las conforme dita a cartilha que ele seguia. E diante do que Jully disse após levantar-se, apenas riu. Afinal, era evidente que ele não tinha atacado com a máxima força que poderia. Afinal, não queria matá-la. Este não era seu intuito. Se estivesse diante de um outro guerreiro, um combatente homem, possivelmente reagiria àquela piadinha com alguma ironia ou então até mesmo com um ataque mais poderoso ainda. Mas diante da incapacidade de desejar a morte de sua algoz apenas sorriu, balançando a cabeça negativamente. Observou-a firmemente na verdade, olhava para a máscara dela.E então aquele alto e robusto homem olhou para o chão. Permaneceu alguns segundos imerso em profundo silêncio. Como que uma mulher como aquela poderia despertar aquela admiração e desejo em um homem como ele, tão equilibrado? Possivelmente era justamente a idéia do desafio, e o fato de uma mulher guerreira possuir dotes tão femininos que colocavam Siegfried naquela posição de surpresa e confusão, ainda mais porque um homem do norte não conhecia mulheres guerreiras além das Valquírias.
    -... Eu não desejo combatê-la porque não posso matar uma mulher e não me permitiria de forma alguma cometer tal ato!-Disse Siegfried.
    Desabafou, cruzando os braços e fitando-a ainda com firmeza. Seu cosmo mantinha-se aceso, e Siegfried permaneceu em silêncio por mais alguns segundos, e após estes falou novamente.
    - De onde eu venho, as mulheres são tratadas com respeito, com carinho, com cuidado. Por mais que eu conheça vocês amazonas por intermédio de meus estudos e saiba de sua essência guerreira, é um sofrimento erguer meus punhos para uma dama! Eu... Não quero. Não quero ter que combatê-la e colocar sua vida em risco! Não como eu recém fiz...
    Deixou transparecer em seus olhos a tristeza evidente que sentiu ao dizer essas palavras. Um homem nobre de fato mostrava-se cada vez mais firme diante da amazona de prata. Mas não somente como guerreiro, mas como um ser humano.E então o cosmo de Siegfried acalmou-se um pouco, e ele permaneceu olhando-a. Seu orgulho impedia que ele avançasse em demais palavras. Mas seu olhar transparecia ternura, cuidado e carinho. Tudo o que deveria ser dedicado a uma mulher por um homem como Siegfried. E ele permaneceu em silêncio e alerta as reações de Jully, afinal ela era astuta e orgulhosa.Jully continua sua caminhada na direção de Siegfried, apenas ouvindo as palavras que ele dizia. Parou a pouco mais de um metro de distância dele e permaneceu em silêncio por alguns longos segundos, encarando-o por detrás da máscara.
    -Você não quis me matar..? Você pisa em meu orgulho, General. Suas palavras ferem mais do que seus punhos! Vou lhe ensinar a me respeitar como sua adversária.-Disse Jully.
    Ela cerrou os punhos e baixou a cabeça por um instante, entendendo o desabafo dele como uma pausa na batalha. Correu os dedos pelos cabelos, para que saísse o pó e areia que havia a coberto depois do golpe dele. Sentia o abdome dolorido, sabia que seus orgãos internos certamente estavam machucados com o impacto e o golpe que recebera. O sangue lhe vinha à boca em gorfadas quentes, o que a fazia enjoar. Mas não deixou de prestar atenção nas palavras do nórdico em nenhum instante.Ela diz, transtornada. Sentiu vontade de chorar, tamanha raiva sentia das palavras dele. Ele poderia notar a voz dela que antes era firme e cristalina, agora se mostrava embargada e trêmula.Logo ele pode sentir o cosmo dela se mostrando novamente, pois ela não iria desistir, mesmo que custasse sua vida. Ergueu as mãos em garra novamente contra ele, com a mesma graciosidade em seus movimentos que demonstrou antes. A dor e os ferimentos não tiravam dela sua agilidade felina.
    -Eu ainda não estou satisfeita!-Gritou Jully.
    Ela eleva seu cosmo ao máximo. Atrás dela é possível ver novamente uma gigantesca serpente e de sua mão direita é possível sentir a maior concentração de seu cosmo, gerando uma descarga elétrica muito mais potente do que ele teria presenciado antes. E ela executa seu golpe com toda sua força, sem mais ensaios. Seu cosmo estava cheio de fúria, porém muito mais poderoso do que se podia esperar de uma amazona de prata.
    -VENHA COBRA!
    Ouvindo as palavras de Jully,era evidente que mais algum ataque viria cedo ou tarde. E desde o princípio das palavras da amazona, colocou o punho direito sobre o coração tanto como forma de defender seu ponto fraco como gesto para demonstrar o quão dolorido era para ele dar seqüência àquele combate. Estava destruído em seu interior, tanto quanto ela estava ferida fisicamente. Observava o sangue escorrendo pelo esbelto e belo corpo de Jully e aquela cena lhe entristecia. Observar o líquido rubro escarlate correndo por detrás de sua máscara e banhando o pescoço da amazona lhe agoniou bem mais do que o normal. Mas nada pode fazer.Seu cosmo então voltou a se manifestar firme, poderoso, mas cheio de tristeza. E Siegfried então fechou o punho que estava sobre o coração, como em um ato simbólico onde apertava o próprio músculo cardíaco, indicando a dor que sentia. Nobre, cerrou seus olhos por um instante, não desejando mais observá-la em um estado tão precário.
    -Entendo o que dizes senhorita... Mas sinto muito. Jamais conseguirei combater uma dama sem que meu coração fique despedaçado. Seja ela uma Amazona do Santuário de Athena ou uma Valquíria a mando dos deuses nórdicos. Independente da condição, uma dama será sempre uma flor delicada de meu jardim. E eu jamais conseguirei pisoteá-la, arrancá-la de seu habitat ou então ceifar sua vida. Eu estou pronto para lhe proporcionar o mínimo, mesmo que isto destrua em mim e a minha essência: um combate honrado.-Disse Siegfried.
    Permaneceu de olhos fechados. Seu sofrimento era demasiado grande para se permitir observar uma mulher tão incrível aos frangalhos por decorrência de seu ataque. E sentia no peito nitidamente um arrependimento por ter atacado-a com a Espada de Odin. Ponderava sobre tal fato, pensando e repensando se fez o correto em agir daquela forma. Ia contra seu próprio orgulho em tal raciocínio, pois começa a acreditar que de repente havia exagerado em seu movimento ofensivo quando aplicou uma de suas técnicas em uma dama. E tal conclusão corroia ainda mais o nobre coração da Estrela Alfa. Sentiu o cosmo de Jully elevar-se ao máximo, e permitiu que sua energia se elevasse tanto quanto a dela, superando a da amazona sem dificuldades. E ali, parado tão próximo, recebeu o ataque da guerreira sem sequer se mover. Porém, ao contrário do que aconteceria com qualquer adversário que recebesse o golpe direto de Jully, a descarga energética que cobriu o corpo do nórdico em nada o feriu ou o abalou: pelo contrário! Siegfried estava intacto, e diante daquilo apenas abriu os olhos após segurar o punho de Jully com o braço esquerdo.Observou então a amazona de prata com tristeza em seu olhar. O que havia feito era simples: utilizou a propriedade especial de seu cosmo para defender-se do golpe da amazona, técnica esta que fazia total alusão ao banho de sangue que o personagem mitológico se submeteu para obter a imortalidade. Desta forma, independente de que armas tocassem seu corpo, ele jamais seria ferido. Permaneceu ali por uns segundos, observando a amazona. Em sua mente, considerava-se invencível, imortal diante de qualquer adversário, até mesmo os cavaleiros de ouro. Porém jamais verbalizaria aquilo, pois sabia que exibir um orgulho e ego daquele tamanho seria tolice, indigno de um homem como ele. E diante da situação que se encontrava onde havia prometido a amazona que combateria com dignidade perante ela foi contra seu próprio coração, e então atacou. Primeiro, desferiu um forte soco com o punho direito que continha cosmo armazenado nele - contra o abdome de Jully, e seqüencialmente a isto puxou o punho dela – que segurava com sua mão esquerda para a esquerda, abrindo a guarda da guerreira. Desta forma, golpeou firmemente mas com imenso pesar e remorso – a máscara da amazona, em um soco seco e poderoso com o punho direito ainda concentrando cosmo. Repetiu o golpe por mais uma vez liberando a energia que tinha concentrada na mão, e então soltou o punho da guerreira, permitindo que o impacto do seu golpe jogasse-a para trás. Naquele instante, sentiu como se um punhal adentrasse seu coração, e então se ajoelhou com a mão sobre o peito, sentindo enorme dor.Estava além de ferido em sua moral muito confuso. Doía demais aquela situação. E então vagarosamente foi recompondo-se, novamente olhando a amazona, admirando-a por sua fibra, por sua coragem, por sua determinação em impedi-lo. E tomado pela curiosidade arrebatadora que lhe circundava a respeito da verdadeira identidade por detrás daquela máscara, começou a se levantar. Não sabia muito bem como agir, mas era evidente que tomaria uma decisão em breve. E ela veio em suas palavras.
    - Não quero desrespeitá-la, senhorita. Muito menos lhe tratar indignamente. Eu sei que havia lhe prometido um combate justo em honrado, mas... Não posso mais vê-la sofrendo. Não por intermédio dos meus golpes. Por mais que me acuse dizendo que minhas palavras são muito mais letais do que meus punhos, tente entender a minha situação! Como eu, um homem que cresceu sob a educação e as regras que consideram um crime erguer uma mão contra uma dama... Executarei uma mulher no campo de batalha? É impossível! Eu não posso! Eu não... Consigo!
    De pé, levou as mãos ao rosto. Tudo aquilo era novo para ele. Siegfried jamais havia enfrentado um paradoxo como o que se desenhava a sua frente. Sentia o calor da Grécia sufocando seu corpo naquele instante, mas minimizava qualquer efeito naquele instante. Aqueles eram fatores secundários para si, pois o grande problema estava a sua frente, nas belas curvas do corpo feminino de Jully. A honra e o orgulho imensos de Siegfried o impediam de agir com mais indelicadezas em relação à amazona. E ele aos poucos dava sinais de que não iria mais prosseguir com aquele duelo.E o guerreiro caminhou na direção da combatente após encerrar seu momento de reflexão. As mãos que escondiam sua face repousaram em sua cintura. Seu cosmo estava inflamado, frio, triste, e seu coração estava ferido. Caminhava com o punho direito sobre o coração em representação a sua dor. Aproximando-se da dama, ela poderia perceber que os belos olhos azuis de Siegfried estavam fechados. Quando se posicionou há cinco metros dela, parou, abrindo os olhos lentamente.Jully desferiu seu golpe com a certeza de que ao menos iria conseguir tocá-lo. Não foi o que aconteceu... Esgotada, não só viu seu golpe ser completamente ignorado, como também se transformou em um alvo fácil para o inimigo.Sentiu o punho do guerreiro deus golpear seu abdome já dolorido e em seguida o choque do metal da indumentária do asgardiano contra sua máscara que resistiu ao primeiro soco apenas se trincando, mas partiu ao ser golpeada novamente.Ao ser liberada apenas sentiu seu corpo ser jogado com força para trás e por mais que Jully desejasse oferecer resistência, já não tinha mais condições físicas de o fazer.Sentiu a face desnuda, a brisa lhe tocando a pele clara. Gostava da sensação, embora o momento fosse o pior possível. No chão, ela apenas ergueu o rosto para observar a aproximação do inimigo, para em seguida abaixá-lo junto ao chão.Seu cosmo ainda demonstrava que queria lutar e muito mas o corpo já não respondia mais os seus comandos e Jully não tinha forças para se levantar do chão.Então a amazona ouviu o nórdico lhe pedir perdão. Com os olhos marejados, ela apenas se pôs a responder, bastante enfraquecida.
    -Siegfried... eu tenho pena de você...
    Surpreendeu-se ao ouvir aquelas palavras, e então abriu seus olhos de súbito. E quando o fez, levou o maior choque de todos: pode contemplar a bela face da amazona prateada. Tão delicada, tão bela e delineada. Jully era detentora de belíssimos olhos , encantadores. E aquilo paralisou por alguns instantes o guerreiro imortal. Não havia conseguido observar a face da amazona assim que golpeou-a com força e a arremessou para trás em virtude da sua ação – onde cerrou seus orbes para não vê-la em pleno sofrimento. Estava naquele instante tão atormentado com seu paradoxo interno que sequer se deu conta que havia quebrado a máscara da garota. E só naquele instante é que despertou para a realidade, ao contemplar os belíssimos olhos marejados de cor esmeraldina da amazona. E aquele choque foi certamente muito mais poderoso do que um golpe em seu ponto fraco.
    -“Jully é... Maravilhosamente linda! É como uma fada que com sua beleza e luminescência circula pelos bosques gélidos de minha Asgard, trazendo alegria e cor para o ambiente natural, colorindo a vida selvagem e despertando no peito de homens e mitos um fulgor incansável, insaciável. Uma necessidade ímpar de contemplar sua beleza pelo resto da eternidade.”-Pensou Siegfried.
    Hipnotizado pelo que via, havia esquecido totalmente até mesmo que a amazona havia proferido que sentia pena do nórdico. E a dor que sufocava seu coração se alastrou ainda mais. E novamente, deu sinais de estar fraquejando diante da dama. No fundo, possivelmente era Jully quem estava começando a vencer o combate, pois inconscientemente havia acertado o imortal em seu ponto fraco.
    Deu então um passo a frente, e aproximou-se mais da mulher. Parecia difícil locomover-se, pois a dor instalada em seu coração consumia até mesmo com suas forças mitológicas. O cosmo do asgardiano cessou, acalmou-se. E ele já próximo a ela, menos de um metro de distância ajoelhou-se. Retirou o elmo da indumentária, repousando-o ao seu lado, e novamente apertou o peito, com o punho direito. Estava chocado.
    -Como eu pude feri-la? Como pude eu, meu bom Odin, ousar erguer meus punhos contra uma dama tão bela, tão delicada, tão... Encantadora?-Disse Siegfried para si mesmo.
    Não se perdoava. Siegfried não se perdoava pelo que havia feito. Sentia uma forte ferroada sobre seu coração, como se a lança arremessada em seu corpo nas eras mitológicas tivesse novamente adentrado sua carne, perfurando-o justamente no único ponto vulnerável de seu corpo. E ali ele novamente dava sinais de que estava sendo derrotado pouco a pouco pela única arma eficaz que Jully tinha contra ele: sua cálida e tênue beleza. O nórdico estava visivelmente abalado com o que via, com a beleza radiante da amazona de cobra. Sentia como se a lança que uma vez o matou nos tempos mitológicos estivesse uma vez mais adentrando sua carne, perfurando seu coração tamanha dor que sentia, tamanho era o pesar que carregava consigo. Mas apesar disto, estava maravilhosamente encantado com o que via. E então, agiu de forma completamente inesperada: retirou com cuidado as manoplas de sua armadura, e repousou-as junto de seu elmo. Com cuidado e cautela, tomou o corpo da amazona com as mãos, e apoiou-a em seu braço esquerdo. Fitava firmemente os olhos esmeraldinos tão belos e doces de Jully, deixando a mostra todo o seu encantamento por ela e também toda a dor que sentia por ter ferido-a. As mãos firmes e poderosas que causavam dor e destruição também tinham o dom de trazer carinho e cuidado pra quaisquer pessoas que se aproximassem de Siegfried procurando amparo. Desta forma, com a mão direita então, fez uma suave e cálida carícia na bela face da dama, ao passo que esta mesma mão amparou as lágrimas dos olhos marejados de sua ex-adversária. Neste momento, sentiu como se a lança perfurasse ainda mais, rasgando fundo sua carne e adentrando ainda mais seu coração, sentindo mais dor, e diante disto, seu corpo tremulou por instantes, mas logo se estabilizou. Então procurou limpar o sangue do rosto de Jully, enquanto falava.
    --... Estas lágrimas... Por mais que elas representem a minha ruína enquanto homem elas deixam evidente o porquê do uso de máscaras pelas amazonas. Se eu tivesse contemplado-a inicialmente sem ela, observado tua beleza radiante desde o momento em que coloquei os pés no solo de Athena, jamais sequer teria conseguido pensar em combatê-la. Jamais teria sequer coragem de ir contra a vossa vontade. E assim como o dia aceita graciosamente o pedido da noite para que a lua possa reinar por instantes, eu teria acolhido com prazer a proposta que me fizeste. Se desde o princípio eu tivesse sido agraciado pela visão dos teus belos olhos esmeraldinos, teria desde o início reverenciado-a como uma legítima representante da Deusa Athena que és, e me perderia no manancial paradisíaco que teus orbes, tão belos, intensos e ao mesmo tempo doces podem representar, vagando dias e noites, semanas e meses, anos e eras, séculos e primaveras na resplandecência da beleza infindável e inenarrável de tão preciosas jóias, mais belas e mais valiosas do que qualquer esmeralda lapidada.-Disse Siegfried para si mesmo.
    Versou então o General. Por mais incomum que pudesse parecer e soar ouvir poesia da boca do guerreiro tratava-se de um entendimento particular que um homem como ele, criado numa cultura e diante de uma educação como a que instruiu Siegfried, deveria conhecer. O herói em pauta tinha apreciação pelos contos e cantos, versos e poesias de sua terra. E fazia-se valer disto para abrilhantar ainda mais sua fama. Estava mortalmente encantado por ela, amordaçado pela beleza ímpar da amazona prateada. Novamente amparou as lágrimas da amazona com carinho, com cuidado, mostrando-a que suas mãos não eram apenas instrumentos cruéis de combate. Eram mãos sim calejadas e ásperas, mas mãos que sabiam proporcionar igualmente carinho e cuidado, conforto e amparo.Confessou então Siegfried tão próximo da amazona. Ela estava ali, em seus braços, machucada, ferida, e o nórdico deixava sua mão direita junto ao rosto dela, em uma carícia ininterrupta e terna. Fitava-a diretamente nos olhos, mostrando um encanto em sua expressão que aos poucos ia superando até mesmo sua tristeza. Porém, novamente seu corpo tremulou exatamente como ocorreu anteriormente. A culpa pelos seus atos e o arrependimento insistiam em fincar fundo no seu peito a estaca da verdade, fazendo-o sucumbir lentamente. Ele estava sendo derrotado de fato por Jully, sem sequer sofrer um dano físico. Mas logo se restabeleceu.Respirou ofegante então o nórdico. As pausas em sua fala eram decorrência do martírio de seu sofrimento. O calor da Grécia começava a lhe afetar, e então o cosmo do guerreiro ardeu com força. Ele era gélido, mas desta vez ardeu intenso, confortante e repleto de um carinho, uma bondade jamais vista anteriormente. E ele silenciou-se, enquanto permaneceu fitando a amazona nos olhos, segurando-a consigo. Não deixaria Jully a mercê da morte. Não por conseqüência de seus atos.O corpo todo estava bastante dolorido, mas Jully sabia que embora a dor fosse intensa, os ferimentos causados pelo nórdico não seriam mortais. O peso de ter falhado em defender Athena ainda tornava seus olhos úmidos.Respirou fundo, enquanto reunia forças para levantar-se mais uma vez. Percebera que o asgardiano ficou envolvido em seus próprios devaneios enquanto a observava e que ele já havia vislumbrado seu rosto desnudo, o que daria à aquele embate uma nova tratativa.Não conseguia entender o olhar que ele lhe lançava, mas o retribuía com firmeza.Embora o corpo ainda não respondesse, seu cosmo continuava intenso, vívido. Se surpreendeu quando o viu retirar o elmo e as manoplas, e ficou ainda mais surpresa, quando este a tomou do chão, visivelmente abalado. Apertou os olhos verdes, demonstrando que reprovava a ousadia de tê-la tocado, ainda que o gesto fosse gentil de amparar suas lágrimas. mas se manteve em silêncio enquanto ele se dirigia à ela. Quando houve uma pausa, ela então se pronunciou:
    - Eu realmente tenho pena de você... Pois ainda que meu corpo falhe, que meus ossos estejam partidos, que meus dias encontrem seu fim próximo.... Meu cosmo arde em desejo de viver, e cada momento em que ainda respiro e honro meu Santuário é um motivo a mais para que eu me fortaleça... Logo meu corpo irá se curar e eu ficarei mais forte...
    Ela então arfou dolorosamente e cerrou os olhos por um instante, para então reabrí-los e encarar novamente os olhos confusos do guerreiro deus:
    - Você, com seu corpo intocável e imortal... Nunca sente como é temer o fim de seus dias. Você não teme que a luz se apague de seus olhos, pressupondo que, sempre irá sobrepujar seu adversário... Você não está preenchido com vida. Quando eu olho em seus olhos, só posso ver o quanto sua alma está partida, o quanto a sua imortalidade tirou de você o calor de ser humano... Seus olhos são frios como a morte e transparecem o inverno eterno do seu coração. Que triste!
    Jully deixou que ele limpasse o sangue de seu rosto, desfazendo a expressão dura que ostentava até então.
    - Você sabe o que irá lhe acontecer por ter visto meu rosto...
    Ela ergueu os dedos lentamente e afastou-lhe os cabelos dos olhos azuis, acarinhando o rosto dele com as costas macias de sua mão.
    - Então não se preocupe... Passe a valorizar a sua vida, deixe que seu coração se aqueça tanto quanto o dia de hoje. Aprecie o nosso belo Mediterrâneo, aprecie a beleza da vida... Porque um dia eu irei tomar para mim o seu último suspiro, cerrar seus olhos com dignidade. E você não verá mais nada disso... Eu serei o seu algoz e essa mão que agora o acaricia irá arrancar-lhe desta existência. Eu lhe prometo sua morte, para que possa viver verdadeiramente a partir de hoje... Não fique mais triste, pois eu juro... que o matarei... Siegfried.
    Então a amazona perdeu a consciência, fechando seus olhos de esmeralda, com a promessa de trazer-lhe a vida através da morte. Seu cosmo se manteve ali, quase imperceptível, manso, quente e acolhedor.Diante das palavras da amazona sua única reação foi o silêncio. Ouvir da boca dela que a pena era o sentimento que se alastrava pela mente dela quando o olhava feria-o, mas diante do que foi dito começava a compreender os motivos pelo qual tais idéias eram explanadas. Seu orgulho pouco a pouco era apunhalado diante de um argumento que jamais havia observado. Não podia negar que as prerrogativas que sua própria condição impunha ao seu estilo de vida traziam aspectos que soavam desvantajosos, ou então conseqüências que o impediam de dentro de algumas nuances específicas da vida ser uma pessoa normal. Até porque ele de fato não era um homem normal. Siegfried tinha ciência de que era a reencarnação do herói mitológico, e que isso se configurava como um fardo especial, algo único que ninguém no mundo inteiro saberia como exatamente lidar com uma condição extraordinária como aquela. De fato, por mais que nutrisse algum sentimento por Hilda, jamais tinha se deixado tocar em seu coração como no presente dia. A beleza de Jully e os fatores já descritos nos relatos prévios haviam despertado na Estrela Alfa uma admiração ímpar pela amazona de prata. E justamente em detrimento disto, compreendia as palavras dela.Aquele pensamento era forte em sua mente, e bem simples de ser compreendido: Siegfried era um combatente frio em virtude do local onde cresceu e totalmente regido pela lógica da racionalidade no campo de batalha. Jamais esperaria ser surpreendido e vencido como havia dito a própria amazona e talvez este fator fosse exatamente o principal motivo que impedia a Estrela Alfa de ter algum temor da morte ou então ao menos pensar que ela poderia se aproximar, afinal a certeza de vitória sempre lhe mostrou apenas o lado vencedor. E tal aspecto evidenciava o que a amazona referia quando citou a frieza típica do inverno quando observava os olhos azuis do nórdico.
    [color-violet]-“Jully.. Agora entendo o que dizes. Somente agora que sinto o coração ferido é que pude compreender o que quis dizer com preencher a vida com o calor. Obrigado.-Agradecia Siegfried.[/color]
    O fator surpresa daquele combate havia declarado certamente a amazona de prata como a vencedora. Siegfried reconhecia isso, pois estava ali, diante dela, com a dama em seus braços e sentia-se destruído por ter feito o que fez. E, mesmo tendo sua morte sido jurada pela sua algoz, não pode deixar de sorrir. O toque macio da mão da guerreira em sua face proporcionou tal expressão em seu rosto frio, e antes que ela apagasse por completo no transe da inconsciência, deixou algumas palavras no ar.
    Siegfried conhecia a lenda das amazonas. E sabia que se ela iria procurá-lo, mesmo em que em Asgard, para matá-lo devido ao fato de que ele havia visto o seu rosto. Mas aquilo não lhe soou negativo. Apenas fez brotar um breve sorriso no rosto do nórdico imortal.E então silenciou por completo, observando-a ceder ao transe da inconsciência. Diante daquilo, apenas trouxe-a para próximo de si, abraçando-a com intensidade, deixando seu cosmo envolver aos dois. Um cosmo com certeza mais quente do que aquele sentido inicialmente. Vagaroso, usou a mão direita para colocar o elmo e as manoplas da sua indumentária sobre o abdome de Jully, e então se ergueu do chão com ela nos braços. Deixou a cabeça da amazona recostada em seu peito da forma mais confortável possível, e colocou-se a caminhar ainda sentindo uma pontada de dor em seu coração na direção que acreditava correta e a mesma que seguia quando fora abordado pela amazona. Aquela carícia havia amenizado a dor que sentia no peito, mas não eliminado-a por completo. Sabia que seria abordado em breve por algum cavaleiro, e não abriria mão de um combate case ele fosse indispensável. Havia saído daquele encontro com a amazona com uma nova convicção: a de que o elemento surpresa poderia lhe derrotar como havia derrotado-o, e que havia ganhado uma inimiga ou um amor que certamente lhe proporcionaria um novo encontro futuro com a amazona de prata.Ela não soube precisar ao certo por quanto tempo permaneceu adormecida.Teve uma sensação estranha, por um instante não soube precisar o que acabara de acontecer e onde estava. Quando abriu os olhos não sentira mas o cosmo poderoso do guerreiro Deus no santuário, Jully apenas prometera que um dia o encontraria e o mataria.
    avatar
    Lawliet
    Game Master

    Mensagens : 241
    Data de inscrição : 25/02/2012
    Idade : 20
    Localização : Rio de Janeiro

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Lawliet em 11.08.12 9:54


    + 550 de Experiência / 900 de Dinheiro
    avatar
    Jully De Peixes
    Players

    Mensagens : 17
    Data de inscrição : 09/08/2012

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Jully De Peixes em 11.08.12 16:05

    Após o regresso de Jully,provavelmente vitoriosa contra o implacável guereiro Deus, a paz finalmente pareceu se instaurar no Santuário e entre seus convivas. Todos aqueles que sobreviveram compartilhavam de um mesmo sentimento, satisfação por terem conseguido sustentar e suprimir os incessantes ataques que ameaçavam a paz na terra e a extinção da humanidade, saudades dos companheiros que partiram... E um imenso vazio, como se não houvesse mais lugar para seres que foram forjados, mente e corpos, para o combate.
    Aquela noite não era muito diferente das anteriores. Nada de diferenciado havia acontecido, até mesmo os treinamentos pareciam ter se tornado mais leves e opcionais, uma vez que o contingente de guerreiros do Santuário estava terrivelmente desfalcado e parecia não haver preocupação em repor o número de combatentes tão rápido. A ausência de comando e pulso firme de um Mestre do Santuário também tornava o local apenas uma república insossa, hierarquicamente defasada.
    A lua ainda estava alta no orbe celeste, quando a amazona de cobra despertou.´
    -"Que pressentimento horrível..." - Pensou a amazona, lembrando-se do sonho realista que tivera a pouco: Mortos voltando à vida, exterminando sorrateiramente a pouca resistência que o Santuário ainda oferecia. - "Minhas mãos tremem e meu coração está descompassado..." - A polonesa se sentou em sua cama, voltando a face mascarada para a visão que a janela aberta de seu quarto oferecia. Imediatamente, um arrepio percorreu-lhe o corpo fazendo-a se sentir observada. Mas não havia sinal de cosmo-energia alguma alí. Tudo parecia estranhamente calmo... Estranhamente morto.
    Espalmou a mão na janela fechando-a bruscamente, enquanto praguejava em polones. Levantou-se, vestindo suas roupas rapidamente para que pudesse sondar os arredores. Não demorou muito para se pôr a caminho do bosque fechado que circundava o local. Dado à natureza de sua 'ronda' ser apenas baseada em um presságio feminino,Jully não reportara à ninguém que havia se afastado de seus aposentos para tal.
    -Que bobagem. Não devia ter perdido meu tempo e meu sono.-Disse Jully para si mesma.
    Murmurou para si, enquanto se embrenhava pelo bosque cerrado. Até que seus pés encontraram algo macio no chão. Aquele inconfundível cheiro adocicado invadiu suas narinas...Sangue. Jully se abaixou, tocando com os dedos o que havia acabado de chutar.A escuridão impedia que vislumbrasse em totalidade o que jazia sobre o chão, para tal, a amazona apelara para seu tato. Ainda estava quente, úmido. Pode sentir a maciez da carne dilacerada. Cabelos, grevas e um peitoral sob a lateral esquerda.Definitivamente, um sentinela do Santuário... Assassinado por alguém com garras afiadas como as dela. Haviam mais cinco mortos e nenhum sinal de cosmoenergia inimiga.Caminhou até onde havia uma clareira, onde a pálida luz da lua a iluminou. Jully olhou para as próprias mãos, empapadas em sangue dos pobres guardas.
    -Por Athena.Quem ousa nos atacar silenciosamente, sem deixar rastros? Quem ousa rasgar as gargantas destes inocentes?-Jully Questionou-se.
    Mais uma vez uma Guerra Santa fora vencida, desta vez o triunfo ocorrera sobre Poseidon. Os cavaleiros haviam voltado ao Santuário, tomando novamente suas rotinas. A paz regressava ao Santuário juntamente dos cavaleiros de Atena. Todos voltavam orgulhosos de seus atos, contentes de não só terem sobrevivido, mas como também terem acabado com a ambição de Poseidon, estabelecendo a calmaria sobre a Terra.
    Aioria de Leão não participou dos combates, mas mesmo assim ficava aflito sobre a segurança de seus amigos que partiram em busca de Atena. Mesmo após o fim da guerra, a angústia do cavaleiro não diminuíra. Um mestre fazia falta para ele no Santuário, achava que não era muito seguro Dohko permanecer em Rozán, assim ficando sempre questionando se o Santuário e a deusa estavam seguros, tendo muitas vezes crises de insônia. Por este motivo todas as noites antes do sol raiar, o cavaleiro ficava parado a beira das escadarias da quinta casa zodiacal, perdido em seus pensamentos e aflições, deixando que a luz do luar iluminasse o dourado de sua armadura.
    [color=violet-“Onde estão os soldados que normalmente ficam aqui por perto? Está estranhamente calmo por aqui, creio que isto não seja um bom sinal. Preciso averiguar a segurança deles.”-Pensou Aioria.[/color]
    O leonino percebeu que estavam faltando alguns soldados por perto, estavam faltando seis sentinelas que ficavam perto do morro das doze casas, que eram responsáveis por avisar os dourados caso algo fora do normal ocorresse. Trajando a sagrada armadura de Leão, Aioria se retira de seu posto e caminha com passos rápidos até o bosque próximo do Santuário, preocupado com os soldados, mas não expondo seu cosmo, pois não havia necessidade. Não sabia exatamente se os soldados estavam lá, mas foi o primeiro lugar que veio a mente de Aioria.
    -“Tem alguém aqui.”-Disse Aioria para si mesmo.
    O bosque era silêncioso, nele apenas os grilos podiam ser ouvidos. Os passos de Aioria quase não emitiam barulho, tornando qualquer som um pouco mais alto muito fácil de se ouvir. Foi quando o cavaleiro ouve o som de água sendo esparramada pelo solo. O leonino estava escondido por trás das árvores, aproveitando também a pouca luminosidade da noite, de sua posição tentava observar o que se passava ali. Entre as folhas não podia ser visto muita coisa. A visão de Aioria era de apenas uma silhueta feminina situada em um clarão no meio do bosque.
    Com passos silênciosos, o cavaleiro tentava aproximar-se da mulher, para entender o que se passava. O dourado escuta alguns murmúrios, mas não consegue entender a palavras proferidas pela moça. Foi então que ele se aproxima um pouco mais, onde consegue ter plena visão da cena.
    - Ju...Jully! O que você está...?!-Perguntou Aioria.
    Ao dizer estas palavras Aioria sai de entre as árvores revelando onde estava. O cavaleiro mal completa a frase pois se choca com o que vê. Os soldados que ele estava procurando estavam ali, mas sem vida. Os corpos estavam completamente dilacerados, mal pareciam humanos. Jully estava com suas mãos banhadas de sangue
    -Jully, qual a razão disto? Uma amazona experiente traindo o Santuário a ponto de matar os sentinelas?! Logo você que parecia tão fiel a Athena...-Disse Aioria surpreso com o que via.
    Apesar do temperamento agressivo de Jully, Aioria jamais esperaria dela uma traição tão violenta. Uma amazona como ela dilacerando os pobres soldados inocentes... Mas tudo apontava ela como culpada; suas mãos cobertas de sangue, mortes violentas provavelmente causadas por unhas tão afiadas como as dela e seu temperamento.
    -O que está fazendo Jully?! Por que matastes os soldados com tanta fúria? – Disse Aioria com a voz tremula, ainda em choque com a cena.
    A amazona permanecia chocada diante das mortes assombrosas
    -Sinto-me observada... O assassino deve estar próximo.-Disse Jully para si mesma.
    Os sombrios devaneios de Jully foram interrompidos pela voz grave do cavaleiro de leão. A amazona instintivamente deu alguns passos para trás, enquanto o leão avançava sobre ela. Cada célula de seu corpo pareciam alertá-la para uma suspeita que a fez arrepiar-se dos pés à cabeça.
    -Aioria...? Que absurdo, como pode me acusar de trair o Santuário? - Disse, com os lábios tremendo por trás da máscara. Ainda se afastava a cada passo que ele dava em direção à ela. Sua respiração se acelerava da mesma forma que os seus batimentos cardíacos. - Eu não fiz nada...! Acabei de encontrá-los assim e quem fez isso ainda está por aqui..!
    Sua última frase soou quase inaudível, pois vinha a fixar uma impressão que Jully de Cobra preferia não ter... Havia caído em uma armadilha do possível assassino.
    -Aioria... Não permitirei que silencie a minha voz antes de eu reportá-lo aos outros cavaleiros! Maldito seja, todo aquele que trai o Santuário!' - Pensou consigo, encarando os olhos turqueses de seu oponente através de seu olhar metálico.

    A polonesa, no entanto, sabia que estava lidando com um cavaleiro de ouro. E que se ele realmente fosse o traidor, iria impedí-lo a qualquer custo de denunciá-lo. Deveria se afastar daquele local e retornar ao Santuário o mais rápido possível, pois como estavam muito distantes... Ninguém os ouviria... Ninguém a ouviria...
    -Maledetto assassino... Se pensa que eu morrerei pelas suas mãos tão facilmente como estes pobres coitados, está muito enganado!
    Dito isso, Jully de Cobra desandou a correr à toda sua velocidade em um único rompante, fugindo de Aioria. Estava decidida a informar Mu de Áries sobre o que acabara de acontecer, implorando para que o lemuriano estivesse presente em sua casa.
    -Athena... Me ajude a ser mais rápida do que um cavaleiro de ouro! Não me abandone!-Suplicou Jully.

    A cada passo que o cavaleiro dava a frente, Jully fazia o mesmo porém se afastando de Aioria. O nervosismo era evidente nas palavras proferidas pela amazona. O leonino só pode escutar a primeira frase, mas não se preocupou em saber a segunda que saíra num tom baixo. Mas mesmo após as palavras da amazona, os movimentos do dourado não sessaram.
    -Jully, as evidências aqui encontradas estão contra você... Sabe o preço que os traidores devem pagar, não sabe?
    Aioria ficaria pensativo sobre o porquê desta acusação, mais o movimento inesperado da prateada o impediu. A amazona saiu correndo a toda velocidade à direção oposta, na direção das doze casas. Não sabia o porquê daquilo, mas tinha de impedi-la. Depois desta suspeita cena, o cavaleiro não podia perdê-la de vista: ele tinha que fazê-la pagar por seus atos traidores. Aioria então começa a deixar evidente seu cosmo.
    -PRESAS RELÂMPAGO!-Aioria grito o nome de sua técnica.
    A barreira cósmica seguia destruindo tudo o que encontrava a frente, deixando a clareira em que os dois se encontravam com um perímetro maior. O cavaleiro usou este ataque com a finalidade de apenas retardar os movimentos de Jully.
    Jully já havia alcançado uma das ruínas que circundavam o Santuário, quando sentiu o cosmo de Aiolia oscilar bruscamente. Era a prova que ela precisava, de que realmente ele estava envolvido nos incidentes com os sentinelas. A amazona de cobra era veloz, mas não fora suficientemente rápida para evitar que a barreira cósmica de Aioria a impedisse de atingir as doze casas.A garota gritou ao ser atingida pela descarga elétrica que percorreu todo seu corpo, causando-lhe imensa dor e espasmos pela sua musculatura.
    Perdeu o controle de seus movimentos naquele mesmo instante, sentindo o corpo chocar-se sem resistência alguma contra as rochas daquelas ruínas.
    Quando abriu os olhos, sentiu a brisa mediterrânea tocar-lhe a face... Percebendo que a máscara havia se soltado, revelando seu rosto ao oponente.
    -"Não há como fugir dele. Não me restam opções... Terei de enfrentá-lo com todas as minhas forças!' - Pensou a polonesa, enquanto sentia o cosmo de seu predador a circundando.
    Não demorou para que o leão surgisse imponente à sua frente, com o brilho tímido do sol que começara a nascer, reluzindo em sua indumentária dourada. Jully o encarou, ainda no chão. Seus olhos, desnudos, encontraram o olhar frio do algoz leonino.
    -Porque está fazendo isso, imbecille...? Eu vou lhe mostrar qual é o destino dos traidores, cavaleiro... - Disse furiosa, enquanto se levantava do chão. Tomou a própria máscara nas mãos, pegando-a do chão e cobrindo seu rosto novamente.
    Tão logo vestiu sua máscara, a tempestuosa e passional amazona levou às garras em um golpe seco e firme, em direção ao rosto do grego.
    -SAIA DO MEU CAMINHO, TRAIDOR!!
    -Jully, sinto por isso mas sua traição não ficará impune.-Disse Aioria.-Além de acabar com a vida daqueles sentinelas, ainda tem a audácia de querer matar-me?! Você não conhece limites!
    Tomado pela fúria da traição que se aprofundava, Aioria tenta dar uma sequências de golpes na guerreira. A raiva tomou completamente o cavaleiro, não fazendo-o pensar sobre seus próximos movimentos, aplicando agressividade em seus socos.Quando as garras de Jully rasparam a face do leão, a amazona de prata não pode conter a surpresa. Estreitou os olhos por trás da máscara, afastando-se um passo do cavaleiro. Combater contra ele usando suas garras era arriscado, uma vez que desta forma ela ficava ao alcance dos potentes golpes físicos que o grego possuía.Mas vê-lo sangrar a incentivou a sustentar aquele embate entre aliados... Ela agora lutava pela sua própria sobrevivência
    -Você é louco? Que motivo eu teria para matar aqueles infelizes? Não tente me culpar pelos seus crimes!-Disse, enquanto ainda o ameaçava com as garras, tão aguçadas quanto navalhas.
    Em seguida, foi atingida pela sequência de golpes brutais que o cavaleiro desferia contra ela. A princípio, conseguiu desviar os primeiros com os antebraços, mas a velocidade do leão aumentou de forma que a prateada não podia acompanhar. A primeira pancada que a atingiu direto na lateral do rosto, a fez cambalear para o mesmo sentido com a cabeça zumbindo, enquanto ainda era alvejada por outras pancadas distribuídas pelo seu corpo esguioA garota se deu conta, durante aqueles segundos em que lutava para se manter em pé, que não haveria outra forma de pará-lo a não ser surpreendendo-o. Afastar-se dele era tão perigoso quanto ficar à mercê de seus punhos.
    Seguindo o raciocínio anterior, Jully mudou sua atitude. Ao invés de afastar-se enquanto ele a golpeava, abriu espaço entre os punhos do cavaleiro usando os antebraços para afastar seus socos... Chocando seu próprio corpo contra o dele.A intenção não fora derrubá-lo com o encontrão, mas sim ficar próxima o suficiente para que seu próximo ataque tivesse boa margem de sucesso. O baque entre as armaduras ressoou feito um trovão, como prenúncio da tempestade que viria a seguir.
    - Já que você insiste... Vamos juntos pro Inferno!-Disse Jully.
    As garras da mão esquerda se cravaram com força no bíceps do cavaleiro, enquanto a mão direita de Jully se ergueu contra ele, guarnecida pela eletricidade peculiar ao cosmo da serpente.E quando as garras da amazona desceram sobre Aioria, os dois foram envolvidos em uma descarga elétrica de coloração rosada, poderosíssima.
    -GARRAS DO TROVÃO!!!-Jully gritou o nome de sua técnica.
    Os golpes desferidos pelo cavaleiro demonstravam algum efeito, acertando o rosto e abdome de Jully. A amazona era afastada naturalmente pelos socos, mas de repente Jully faz algo inusitado novamente. A amazona se prende a Aioria com sua afiadas unhas, que foram cravadas no bíceps do cavaleiro. A dor era grande, mas não o suficiente para fazê-lo gritar de dor.
    “O que ela pretende fazer?!”-Perguntou-se em pensamentos.
    O sangue do cavaleiro escorria pela armadura até encontrar a armadura de Jully. A amazona havia se chocado contra Aioria para que seu próximo golpe tivesse mais êxito.Assim que a prateada levantou sua mão demonstrando os relâmpagos púrpura. Aioria tenta livrar-se da moça empurrando-a, assim acabando se ferindo com as garras travadas em seu braço, mas não evitando o golpe que se seguiu. O leonino fora envolvido pelas descargas elétricas de Jully, soltando um grito de dor enquanto caía no chão a frente da amazona.
    -Jully, você é forte mas não me derrotará facilmente.-Disse Aioria.
    Dizendo isso, Aioria se levanta novamente com um pouco de dificuldade e com seu sangue escorrendo de seu braço e rosto. Assim que levanta afasta alguns passos da amazona de prata.
    -Não permitirei nenhum traidor entre nós... Maldito seja aquele que trai Athena! Saga pagou com sua traição, com o que fez com meu irmão.Jully você irá pagar igualmente.-Disse Aioria.
    -CÁPSULA DO PODER!-Aioria Gritou o nome de sua técnica.
    As garras afiadas de Jully cortaram os feixes de músculo do braço do leão sem dificuldade quando este a empurrou. Vê-lo cair diante dela era um bálsamo refrescante no ego da serpente.
    Ao mesmo tempo, sentia um frio gélido em seu estômago ao imaginar qual seria o próximo ataque do leão.
    -Eu não quero derrotá-lo. Só quero que engula cada uma das suas acusações contra mim! Eu jamais trairia o Santuário!-Disse apertando os dentes e cerrando os punhos diante de Aioria que se recompunha e articulava mais um ataque devastador contra ela.
    Na iminência de receber o Cápsula do Poder, Jully nada pode fazer que evitasse ou amenizasse o golpe.Quando a intensa corrente elétrica tomou conta de seu corpo a dor era tão profunda que a amazona não pôde nem mesmo gritar. Sentiu sua musculatura se retorcer em espasmos cadenciados, enquanto era lançada violentamente para trás.
    Aterrissou desfalecida no mar mediterrâneo.Ela não notou que havia perdido a consciência momentaneamente. Sentiu o corpo envolto em água e se agitou de encontro à superfície. Sentiu que os pés tocaram o chão rapidamente e estava raso... Abriu os olhos, caminhando de volta as ruínas na orla da praia onde estava seu inimigo.Sentia a água cobrindo até sua cintura e como o corpo todo estava em frangalhos, Jully não tinha idéia da extensão dos ferimentos que Aioria lhe causara.Tateou o ombro direito, sentindo que já não possuía sua ombreira e que a água salgada fazia arder algum ferimento que deveria ser profundo. O sol matutino refletia vigorosamente em sua pele alva e delicada, enquanto o sangue vertia pelas suas costas e busto.
    Parou diante do cavaleiro de leão, encharcada pela água do mar Egeu.
    -Aioria... -Disse com firmeza. - Porque está traindo o Santuário..? Você era um homem que eu costumava admirar...Inquiriu o homem enquanto mantinha os olhos fixos nos dele, lutando para manter-se em pé.
    Segurava com a mão direita o busto esquerdo, para que a roupa danificada não lhe caísse e revelasse seu corpo ao adversário.
    O dourado consegue ter êxito em seu golpe. A Cápsula do Poder acerta rigorosamente a amazona. Jully é arremessada com ferocidade, caindo desacordada sobre o mar, tingindo as águas salgadas de vermelho. Aioria observava a amazona se levantar com dificuldades instantes depois. As ondas atingiam-na na região da pélvis. O golpe apesar de ter surtido efeito significativo não parou a prateada, que vinha cambaleando até a direção do leonino.
    -Jully, desista! A traição não a levará a lugar algum.-Disse Aioria.
    Vê-la naquele estado era lastimável. Uma pessoal que a fidelidade era tremenda, acabar matando inocentes aparentemente sem propósito. Aioria não prosseguiu em outro golpe, apenas se aproximou com passos firmes, colocando pressão na moça. Mas seguia preparado para evitar qualquer investida que Jully fosse dar.
    A garota riu despretensiosamente por trás da máscara metálica.
    -Aioria... Você levou alguma pancada na cabeça? Não é possível que você seja realmente tão imbecil a ponto de achar que eu traí o Santuário!-Disse Jully.
    Ver Aioria aproximando-se fora combustível suficiente para que o pavio curto da amazona estourasse uma outra vez. Ela não podia conceber a idéia de que ele continuava a ameaçando e ainda a pressionava a confessar um ato cuja autoria não a pertencia.
    -Você não me deixa outra escolha, cavaleiro. - Arfou e continuou sustentando a "pressão" psicológica que ele fazia. - Você é muito burro ou é um grande ator.
    A serpente notou que ele mantinha a investida, independente de suas negativas.
    Obviamente, um cavaleiro de ouro como Aioria de Leão não temeria uma amazona de prata como ela. Mas Jully nunca se entregaria ou facilitaria as coisas para quem quer que seja. Estava disposta a ser um oponente à altura de seu adversário.Trocou rapidamente a mão que segurava a veste rasgada para aplicar em Aioria um repentino gancho de direita. Sabia que ele provavelmente estaria preparado para aparar o golpe e já mantinha um segundo movimento em mente.Jully ria e negava o assassinato. A cada insulto o cavaleiro de leão se enfurecia mais, cerrando os punhos e trincando os dentes. Mas continuava firme, não sessava seus passos. A pressão que tentava colocar em cima da amazona só servira para deixar mais furiosa do que antes.
    -Confesse Jully e assim não sairá daqui com maiores danos.-Disse Aioria.
    Quando Aioria estava a poucos passos da prateada ela logo tentou golpeá-lo. Por estar preparado desviou-se facilmente daquele soco seco, mas mal percebeu que este golpe foi apenas uma distração para a real ação da moça. Pego de surpresa, o leonino recebe a técnica da prateada novamente. As cargas elétricas corriam por seu corpo, mas desta vez manteve-se em pé. Parecia não ter sofrido dano com a técnica da amazona.
    Aioria pronunciava suas palavras com firmeza e confiança. Ainda zangado por Jully não assumir seu erro, aplicou outro golpe na amazona.
    -RELÂMPAGO DE PLASMA!-Aioria gritou o nome de sua técnica.
    Como Jully havia previsto, seu primeiro golpe fora facilmente evitado pelo cavaleiro. No momento em que ele se esquivava,Jully aplicou-lhe sua técnica "Garras de trovão" que descarregou sobre Aioria uma intensa descarga elétrica por todo o corpo do leão.Mas o resultado a seguir não fora nada satisfatório para a amazona.Aioria simplesmente recebeu seu golpe e o absorveu sem se ferir.Não tivera tempo de filosofar muito a respeito dos doze cavaleiros de ouro, pois o leão rugiu novamente para a garota atacando-a com uma técnica ainda mais agressiva.Jully foi atingida por milhares de feixes de energia extremamente poderosos.Sua armadura de prata absorveu bravamente a primeira parte dos raios que recebera mas foi se danificando até partir-se em pedaços imprestáveis, assim como a máscara que cobria o seu rosto. Jully resistiu bravamente até não poder mais manter-se em pé, caindo sob a areia quente das praias mediterrâneas.Não se importava em ocultar a parte de seu corpo que havia ficado desnuda, dado à gravidade dos ferimentos que recebera com o Relâmpago de Plasma. Sentia o sangue escorrer quente por seu ombro, costas, busto e sua boca também vertia o líquido rubro que tingia o solo em torno dela.Mesmo que desejasse se levantar, seu corpo simplesmente não respondia mais. Ficou estirada no chão ainda muito próxima de seu algoz em silêncio.Aioria acertara seu golpe com eficácia na amazona de prata. Devido a proximidade entre os dois, os feixes de luz causaram mais dano sobre Jully. O sangue que escorria da prateada pintava as areias claras de vermelho. O que a salvou da morte foi sua armadura, que se fragmentou em centenas de pedaços pelo golpe. Aioria acreditaria que a amazona estava morta até ela pronunciar algumas poucas palavras. Diretas e furiosas.Aquelas poucas palavras foram o suficiente para abrir os olhos do leão dourado. Afinal, um traidor jamais alegaria inocência em uma situação como esta. Foi então que Aioria se agachou perto de Jully e suspirou.
    - Sinto muito por ter feito isto com você. O culpado não iria alegar sua inocência se estivesse a beira da morte. Desculpe-me por ter de feri-la gravamente para perceber isto, mas entenda que na situação em que nos encontrava eu não tinha outra opção.
    Aioria então posicionou sua mão um palmo acima do ombro ferido da amazona. A áurea dourada respectiva dos cavaleiros dourados se acendeu, envolvendo a mão leonina e o espaço entre ela e o corpo da serpente. Alguns segundos depois a áurea se apagou.
    - Você ainda não pode se levantar, Jully. Os ferimentos demorarão a curar, mas você irá ficar bem. Vou leva-la até sua casa para que possa descansar.
    Dizendo isto, Aioria segura Jully em seus braços. Pegou sua capa branca e jogou em cima da amazona, deixando apenas sua cabeça descoberta. Rapidamente alguns pontos do manto começaram a ficarem rubros devido ao sangue. Segurando a amazona, Aioria se dirige a cabana da amazona, parando apenas quando a deixa em cima de sua cama coberta pelo manto do cavaleiro.
    -Desculpe-me Aioria, mas não custumo ser carregada por nenhum homem!-Disse Jully ainda fraca mas erguendo sua mão direita.
    Jully ergueu sua mão direita, cravou suas unhas na cabeça no cavaleiro transmitindo uma pequena discarga elétrica no mesmo, fasendu-o fica paralizado e consecutivamente desacordado sem coordenação motora.Jully ainda ferida, se regenerando aos poucos vai em direção a sua casa para que pudesse descansar seu corpo.
    avatar
    Lawliet
    Game Master

    Mensagens : 241
    Data de inscrição : 25/02/2012
    Idade : 20
    Localização : Rio de Janeiro

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Lawliet em 11.08.12 16:12

    + 800 de Experiência / + 600 de Dinheiro

    O seu x2 já foi adicionado (4/5)
    avatar
    Jully De Peixes
    Players

    Mensagens : 17
    Data de inscrição : 09/08/2012

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Jully De Peixes em 19.08.12 10:28

    Um piar baixinho foi começando, até que o pequenino cantor libertou seu som mais agudo ao vento, cantando sem parar, como um compositor que possui inúmeras palavras para citar e rimar. Tão doce, tão eloquente para os de sua espécie.Assim cantava um pisco-do-peito-ruivo, à frente da morada de virgem, com seu peito avermelhado estufado, os olhinhos miúdos e brilhantes como orvalho negro. Estava feliz, e trazia sua felicidade para presentear o virginiano em sua tranquilidade,inundando-o com um sentimento de maior paz do que já sentia naquele momento; inundando-o com a percepção do amor do passarinho ao espaço que vive, ao ardor que sente, quando pode pisar no solo sagrado de virgem e receber a lufada de uma bênção indizível e perene. Era um bom amigo, alguém que não guarda rancor, maldade ou qualquer tipo de defeito. Assim deveria ser a humanidade; e, a partir disto, que Asmita sorriu,encantado com a mensagem que aquele pássaro lhe passava.Viera apenas para agraciá-lo com uma olhadela, revelando que se importava em adentrar ali, porque sabia que Asmita era só.Um presente inesquecível. E ele voou para o lado de Asmita,pousando ao chão, ciscando e olhando-o com calma e aprovação.
    -Suba aqui, pequenino. - Invadido pela emoção de sentir a presença de um ser imaculado, Asmita o exaltou em seus pensamentos e buscou tratá-lo com extremo requinte, assim como deve ser tratada a natureza. Não fazia distinções, apenas sabia que podia conversar com o pequeninoe ele o entenderia à sua maneira. - O que o traz aqui, nesta manhã fria? Por acaso veio apenas para deixar-me contemplar sua imagem? Que vaidade, meu querido amigo.Bem, sente-se, e que possamos dialogar sobre o que se passa no mundo; pois não vejo salvação para ele. A seriedade infringiu em cada palavra, uma nota de tristeza e decepção, ele sentia que a humanidade não mudaria e, mesmo que fizesse tudo,o nada seria o melhor companheiro. A primeira pergunta soou baixa, para que viajassem lenta e perfeitamente no ar, permitindo apenas a um ouvinte - o passarinho - escutar. - Há um cavaleiro que precisa de nossa compreensão e ajuda... É o primeiro passo que daremos, nesta contínua andança para a salvação e transformação.Ela não cria laços. Ela não conversa com seus semelhantes. Ela deseja ser só, assim como um andarilho que desconhece a filosofia da amizade. É como eu... E acho que você, sendo um bom mestre, poderá nos ensinar o que é a amizade e como devemos
    nos portar neste mundo. O que me diz sobre isto?

    Era interessante olhar para ambos. Só Asmita falava, mas o passarinho prestava atenção a cada palavra que ele pronunciava, como se entendesse tudo completamente. Eram dois amigos, mesmo que apenas um falasse... O passarinho demonstrava sua amizade no silêncio e na exaltação de um canto vigoroso e cheio de eloquência.Assim eles se falaram, e a tarde vinha chegando, porque o sol tornava-se avermelhado no horizonte e as nuvens impediam a passagem de seus raios para a terra. O passarinho ciscou e cantou mais uma vez, alto, de forma que toda a casa foi preenchida pela candura daquela explanação do mais ávido sentimento. Ele começava seus ensinamentos.Sob o céu de nuvens vespertinas, uma figura graciosa caminhava sem pressa, mesmo diante daquela escadaria infinita. Degrau por degrau, a franja que lhe cobria a testa balançava suavemente, tal como o resto da coma azul-celeste, sugerindo um olhar mais ou menos fixo no chão de pedra branca. Tolice acreditar, no entanto, que o guardião andava distraído ou imerso em pensamentos muito profundos. A sua solidão, em particular, jamais dispensou a máxima cautela.O silêncio que o acompanhava precisava ser interrompido toda vez que solicitava passagem através das Casas, pois o fato de ser um Cavaleiro de Ouro como eles não o isentava do protocolo, de fundamental importância para a segurança do Santuário. Na hora de seguir em frente, a tendência consistia em não haver oposição por parte do outro Santo, afinal, retornar ao posto original, finda a missão, tratava-se de simples dever de praxe. Foi aí que, lembrando-se da teimosia de Shion, esboçou um sorriso lânguido. Certa vez, o ariano implicou infernos só para conseguir examinar um ferimento que Jully ostentava na lateral direita do tronco, de onde escorria um filete de sangue letal sobre a escama dourada da armadura. Brusco, Peixes voltou-se contra Shion, trazendo o próprio corpo para a retaguarda e, consequentemente, para longe do toque de Áries, o qual tentara avançar, preocupado. A confusão foi feia.Rápido como ninguém, o crepúsculo tingiu o firmamento com o mais puro vermelho, sendo que o brilho rubro do fim da tarde mal contrastava com o dourado da indumentária trajada pelo calmo andarilho. Por outro lado, Asmita parecia encarnado, como se uma aura de fogo delineasse sua silhueta e a de seu ilustre convidado, o pisco-do-peito-ruivo. Poucos segundos decorreram, o suficiente para jully registrar a cena incomum, até que os lábios traçados e pálidos se movimentaram...
    -...Preciso falar com o Grande Mestre. Deixe-me passar, Asmita.
    O engraçado é que a bela não esperou pela permissão expressa do virginiano, dando o primeiro passo adiante.
    Segredo que não podia ser revelado. Um segredo conhecido, mas guardado; tão sórdido, indiferente às feições joviais e suaves daquele famigerado rapaz. Senti-lo entrar e poder apreciar sua majestade era um presente ao pensamento e à concepção do virginiano, que calado e reservado, apenas escutava com atenção as palavras proferidas por seu aliado e o canto gentil do pisco-do-peito-ruivo ao seu lado, ainda lhe ensinando, à sua
    maneira peculiar. Havia percebido, dentro de si, a verdade absoluta que regia
    o âmago de seu aliado, sentindo, em infinidade, o quanto ele sofria e segurava-se para manter o semblante uma mescla de afeição com seu lado reservado. Assim ele fechava-se para o mundo, tornando-se um enigma... Um enigma que não podia ser desvendado.
    Todavia, em sua particular união com o universo, Asmita, através da sua percepção do mundo, sentiu-se frágil, como se partilhasse com sua aliada, o que se passava dentro dela. E
    sentiu uma leve angústia, pois sabia o ônus que cercava Jully e a afastava de seus semelhantes. Não só os boatos de sua pele ser envenenada, ou o seu sangue, mas o fato dela ser solitária,não querer ter amigos, não querer que as pessoas se aproximem dela por causa desta condição. Talvez pudesse haver uma cura, ou palavras que servissem para melhorar o seu ânimo e transformá-lo. Isto é um sacrilégio - não poder viver ao lado de pessoas que gostaríamos. Mas no fundo, Asmita era como ela, reservado e solitário; mas não por uma condição imposta pelo universo, mas porque sentia a mediocridade que assola o mundo e o quanto as pessoas estão sendo arrogantes, orgulhosas e insaciáveis por poder. E ele não pode segurar por mais tempo sua saliva, e grossa ela rasgou a garganta, descendo lentamente.
    -Você nunca se perguntou o porquê de eu nunca me envolver com os outros cavaleiros e partilhar de suas batalhas, sempre preferindo ficar em minha morada, sem sair e
    apenas meditar? - A voz repercutiu baixa, assim que o pisciano passava ao seu lado, bem na hora que iria ultrapassar a figura estática de Asmita ao chão, as mãos e as pernas cruzadas.

    -Lhe pergunto: O que sente neste momento,Jully? Solidão? Receio? Tristeza? Impotência? - Apenas uma tênue redoma de cosmo envolvia Asmita, enquanto a luz do sol enfraquecia, acalmada pela sutileza do cosmo do virginiano.- Eu o conheço... O conheço tanto... - E um sorriso doce se formou em seus lábios, enquanto a voz mesclava a incólume nota da poesia.
    -Já reparou como o pequenino gostou de você? -O pisco-do-peito-ruivo começou a cantar mais uma vez, antes quieto, atento às palavras de Asmita, como se às compreendesse perfeitamente e quisesse aprender com elas. Como se quisesse aspirá-las e senti-las em sua totalidade. Ele cantava alto, e pulava aqui e ali, aproximando-se de Jully,tão feliz, tão sonhador e amigo. Desconhecia o que se passava dentro do pisciano. Desconhecia sua desavença interna. Desconhecia seu nome. E queria sabê-lo.- Ele está curioso para saber o seu nome. Pode dizê-lo?
    As primeiras palavras de Asmita interromperam o avanço da Amazona de Ouro. Enquanto aquela encontrava-se sentada, voltada para o horizonte de fogo,Jully continuava a enxergar o lado oposto, isto é, a entrada da Casa de Virgem, a poucos metros de distância. A paz da pisciana balançou, criando pequenas ondas no seu espírito. Possivelmente, graças ao cosmo brando de Virgem, à semelhança de uma borboleta que, repousando, conseguiu romper a tensão superficial da água.
    -...Vejo que dispõe de tempo livre para conversar. Creia, não é o meu caso.Porém, contrariando todo o sentido dessa resposta fria, as orbes gélidas– nem por isso menos cintilantes – desceram ao canto inferior esquerdo dos olhos, movimento este acompanhado pelo resto do corpo, a começar pela cabeça.
    -O que você faz ou deixa de fazer é um assunto a ser tratado com o Mestre do Santuário, não?
    Até que ela achou que poderia retornar a marcha, mas Asmita tratou de incomodá-la um pouco mais, agora com perguntas e afirmações de teor, no mínimo, curioso. Que brincadeira estranha e inadequada era aquela? Franzindo o cenho numa leve irritação (nada fora do usual), permitiu ser embalado pela conversa aparentemente sem sentido, cuidando para não perder o famoso sorriso passivo-agressivo.
    -Já que me conhece tão bem assim, sabe que preciso estar no salão do patriarca daqui a alguns minutos. “Urgência” é o que sinto.
    Evidentemente, Jully não queria discutir sobre seus sentimentos. Nunca o fizera antes, por que faria isso agora, apesar da curiosidade fluir de um companheiro de causa? Falando em companheirismo, o melhor que poderia fazer por Asmita e por qualquer outro ser vivente era se afastar da sua presença. Só que isso estava começando a ficar difícil.
    Ingênua, a pequena ave começou a diminuir sua distância em relação àquele jovem de beleza estonteante: mais uma vez, a formosura da Amazona de Peixes estaria provocando a tolice alheia? Apenas uma coisa suportaria o contato com a pisciana (na dramática perspectiva deste), embora a própria duvidasse se tal “ser” poderia ser considerado “vivo”, como aquele pássaro. Apreensivo, Jully tratou de avisar o Cavaleiro à sua frente...
    -Melhor mesmo é dizer ao seu amigo para não se aproximar de mim, Asmita..., respondeu, desejando resguardar a integridade dos dois curiosos através do tratamento ríspido.
    -...aviso que estendo a você ou, do contrário, vou ter que me desculpar perante o Grande Mestre.
    O vento soprou um pouco mais forte, evidenciando o tecido branco e sedoso do mantel que ornava a Armadura de Peixes. De qualquer jeito, a capa não cobriu a amargura que reluzia das íris cristalinas.Do seio da terra, uma essência selvagem brotou, e o ar, silenciado pelo medo, tornou-se pesado como uma grande rocha. Isso aconteceu porque o tempo e o espaço sofreram uma breve aliteração, o qual as palavras de Jully tinham sido o arauto desta violação tão íntima.Notava-se que, emudecido pela sagacidade pisciana, Asmita ganhava um aspecto mais sombrio, e sua aura dourada enfraquecia em cor, tornando-se mais lúgubre, com bordas cinzentas. Talvez a pisciana sentisse aquele peso sobre seus ombros, em sua mente tão perspicáz, mas não menos frágil que a do passarinho embaixo de si. O passarinho, contudo, com nada sofreu, senão um doce desejo de aproximar-se daquela que acabara de falar; no entanto, impelido por alguma força sobrenatural,ele não conseguia sair do lugar, impotente, caminhando no ar, sem que a sua percepção o alertasse.
    -Respeite o solo sagrado deste lugar, Jully. Você o inundou com uma essência cinzenta e insípida. Maculou-o com seu jeito, por causa de um
    orgulho que esconde quem realmente é. Você é alguém que precisa ser ensinada com extremo zelo e carinho; mas o zelo de alguém que a conhece bem, assim como eu a conheço... - Asmita levantou-se devagar,não ousando se virar para aquela que falava, e sua aura não tinha uma coloração tão bonita quanto antes, estava doentia, sem força, inundada por uma tristeza que jorrava aos borbotões e tomava a morada de virgem.

    -Ali está o seu coração, no chão, sob seus pés. - O chão da morada de virgem foi alterado de repente, antes que os olhos pudessem olhar para baixo e perceberem o que havia acontecido; a superfície ficara espelhada, como se água jorrasse das fendas da terra e começasse a subir lentamente. Até mesmo o marulhar da água era possível escutar, como uma fonte infinita. E Jully poderia ver a imagem dela no chão, com a armadura e seu corpo transparente, todo o seu corpo transparente, exceto o coração, que batia de forma débil, murcho e arroxeado, implorando para que o sangue viesse, e este, impedido por alguma força, não ousasse seguir rumo ao coração e auxiliá-lo com sua vivacidade e salvação. E assim o coração, murcho e pequeno, era a única coisa que se mantinha viva dentro daquele corpo mórbido e cinzento, cujos outros órgãos já haviam morrido. O que é que sustentava aquele coração ainda mais? - O que sustenta o seu coração, é a verdade que esconde dentro de si; não pode haver máscaras; não pode haver esconderijo; você não deve permitir que o ônus de sua vida a separe daqueles que querem se aproximar de você. Pois assim, não poderá ser relembrada como uma Amazona que és.
    Uma menina vinha correndo, entrando na casa de virgem, com suas feições joviais tão sorridentes, os olhos brilhando de tanta felicidade em poder
    encontrar sua mais preciosa ídolo. Uma rosa ela carregava nas mãos unidas ao peito, o vestidinho levemente sujo, maltratado. Nem por causa disso, ela
    se sentia triste, e notava-se, em seu semblante, que queria agradar aquela a quem dedicava tanta atenção e eficiência. Era a garota que sempre procurava
    Jully, que sempre perguntava por ela, que sempre sentia sua falta, mesmo não a conhecendo. Isso se chamava devoção e amor. Será que ela, tendo visto
    ela tantas vezes, não haveria sentido alguma empatia pela mesma? Ou percebido seu carinho tão incondicional? Aquela era uma criança... Crianças facilmente tornaram as grandes pessoas como seus ídolos; no entanto, quando os tornam, isso é sincero e absoluto. O passarinho, percebendo aquela movimentação brusca, voou para o braço direito de Asmita, pousando sobre ele. E a menina, ofegante, parou em frente a Jully, estendendo a rosa e falando com sua voz entre-cortada e sussurrante.
    [color:6571=violet"-Pra você, Sra. Jully." ela logo se recompôs, e o riso não se desfez de sua face. As bochechas ficaram rosadas, os dentes reluziram num sorriso doce e ingêuo, e todo o seu espírito pareceu condensar-se numa tranquilidade inexorável, infinita. Sentia-se protegida. Sentia-se a mais capaz. Sentia-se a verdadeira amiga. Ela não passava de um fruto criado pelo universo.
    -Não abrirá seu coração para dois fãs especiais, como estes, Jully? Eles estão ansiosos por sua resposta.

    De repente, a terna aura do virginiano transformou-se em uma coroa de energia escurecida, que o cobria desde o início das longas madeixas douradas até o ponto de contato com o chão pedregoso. Quando Asmita deu sinal de que ia se levantar, Jully pôde sentir, de corpo e alma, uma pequena fração do peso dos céus, tamanha a gravidade do loiro. Ao que parece, não poderia se mover, pelo menos não com a liberdade de antes. E isso não era tudo.
    -Asmita...!
    Um espelho havia se formado logo abaixo dos seus pés. De tão límpida, a água que jorrou do solo convidaria qualquer um a contemplá-la, e, quem sabe, repetir a tolice de Narciso. Porém, quando baixou a fronte, Jully não conseguiu enxergar beleza alguma... como de costume. Na verdade, seu reflexo indicava que tinha sido reduzida à uma figura translúcida, quase se misturando com o cenário vaporoso, não fosse pelo coração envenenado. Aquele músculo outrora forte e carmesim vacilava, o tom roxo tomando conta da sua superfície e, dessa vez, não por causa do fluido letal que a preenchia.
    -..Então, eu estava certa., afirmou, lembrando-se da verdadeira razão pela qual havia se voltado contra Virgem. Palavra por palavra, a ingerência de Asmita galgava novos níveis, desafiando a postura reservada da discípulo de Lugonis.
    Desde o início, você planejava dificultar as coisas. O porquê do Cavaleiro de Virgem se dignar a tanto, é um mistério., respondeu, arisca.
    -A verdade, você diz? Pelo que sei, não é algo que combine com esse discurso vazio. Asmita, o que pretende?
    Dúvida justa, afinal. Asmita não era um inimigo e sequer Jully nutria sentimentos menos nobres pela guardiã da Sexta Casa, apesar de ter ouvido comentários a respeito do comportamento controverso do virginiano.
    -Não me diga que, por causa de um capricho tolo... deseja testar a veracidade das minhas palavras! Quantas vezes eu preciso diz-, interrompeu-se.
    Subitamente, o choque. Contrastando com as íris trêmulas da Amazona, duas esmeraldas surgiram na forma de olhos infantis. A agitação da pisciana foi cortada pela imagem de Agatha. Infelizmente, a consciência de Jully quanto à impossibilidade da garotinha encontrar-se naquele recinto oscilava, face ao poder de Asmita. A menina e o pássaro avançavam em sua direção, fazendo com que Peixes se debatesse por dentro e por fora, quando conseguiu se mover um curto passo para trás.
    -N-NÃO SE APROXIMEM DE MIM!!-Disse Jully.
    Um grito que ecoou distante alvoroçando o pequenino espectador do peito ruivo e fazendo a pobre garotinha andar um passo para trás, amedrontada com tanta veemência numa única pessoa. Ela tremeu e não piscou, tamanho o efeito que ela pareceu sentir. Era uma forte realidade, um desafio à percepção e ao coração mais frio e reservado. Era cruel e insípido. E tudo envolvia o olhar, o olfato, a audição, o tato e, principalmente, o sexto sentido.

    -Um capricho? Não, não pode ser classificado como um capricho. Essa é uma existência, à qual criou em você uma delicada devoção. E só ela pode estender-te as mãos e puxá-lo deste abismo que você se encontra. Você nada mais é, do que uma pedra preciosa em cacos, a qual o valor se perdeu e, no entanto, poder ser novamente reaproveitada...Basta lapidar cada pequenino pedaço e colocá-los um ao lado do outro, a fim de recriar um coração reluzente e completo. - O tom de suas palavras misturava decepção e vontade de mudar,o que tornava-a mais áspero; para uma mulher, indelicado; para Jully... Ela mesma tomaria nota de cada palavra daquela reprodução da filosofia de Asmita. Um ser humano só é completo, se puder aproveitar ao máximo cada dia de sua vida. E ele via que Jully tinha uma alma bonita,mas cheia de fendas, cuja luz está frágil e com uma forma pequena,desconsolada.
    -Perceba o que o universo reservou para ti!... - Ele ergueu os dedos da mão direita e os juntou, deixando sua palma aberta. Um mudra budista, talvez desconhecido pela amazona, sua aliada. Todavia, Asmita resolveu explicar-lhe o que ocorreria. -Este é o gesto de proteção ou destemor, associado à benevolência do Buda Sakyamuni que domou um elefante com este gesto. E acho que será o suficiente para torná-la mais receptivo aos meus ensinamentos e à filosofia de vida que citarei para ti. - Tendo feito o gesto, o cosmo de Asmita oscilou na morada, sobrepujando o ar e elevando-se a um nível muito alto, o qual a telecinése tornava-se uma existência diferente do peso das partículas,não só agiria no lado físico, como também no psicológico e espiritual da amazona de peixes, caso não houvesse algo que proibisse a ascensão do cosmo do virginiano sobre ela, e aquele mudra era um estado de sapiência que a mente influenciava os preceitos do universo e, através da benevolência íntima do virginiano, o "presentearia"com o efeito desejado. Uma filosofia antiga, ensinada por poucos mestres budistas.
    -Agora veja como ela age. - Uma pitada de auxílio, um leve toque na percepção e na mente. E, quando falou, Agatha a menininha de madeixas castanho-claras aproximou um passo, com seus olhos súplices, molhados e brilhantes, não piscavam, e estão vidrados nos olhos dela, como se fizessem um pedido silencioso. O passarinho, o famoso pisco-do-peito-ruivo foi se aproximando também, curioso, não ousando mais ciscar, apenas cantando com alegria, baixinho, como se falasse um idioma entendível graças à sua fidedigna demonstração de afeto a pisciana.
    - Observe e aprecie... Sinta a ação do universo sobre você... Jully.

    A reação de Agatha, melhor dizendo, da ilusão que tomou a forma da garota, fez nascer a dor do arrependimento no semblante cristalino da pisciana, o qual parecia estar presa em sonhos. Algumas vezes, ela gostaria de desculpar-se pelos modos rudes. Daí, lembrava-se que isso era o de menos, pois garantia que os outros não sofressem, como se o simples contato com a tez alva de Jully fosse o suficiente para envenenar e matar. Oras, correr riscos estava fora de cogitação. Dividindo a atenção para a voz de Asmita, agitou a cabeça, no intuito de clarear seu pensamento, não logrando tanto êxito assim.
    -O que você sabe...?-Foi a pergunta diante das comparações ofensivas feitas por Asmita. O virginiano dominava a arte da presunção como ninguém.
    -Em outras palavras, sugere que eu seja tão irresponsável a ponto de arriscar a vida das outras pessoas. É a prova cabal de que...
    Jully conheceu, sim, o toque humano. Por algum tempo, não careceu pensar em seguir o caminho da solidão: a morte do querido mestre o pegou de surpresa, já que não sabia de todos os detalhes da Cerimônia do Elo Carmesim; informações omitidas de propósito por Lugonis.
    "Perdoar quem não se arrepende é como desenhar figuras na água."
    - ...você não sabe qualquer coisa sobre mim!!!-Disse Jully.
    O desabafo foi sucedido por um peso sem igual sobre a Amazona de Ouro do Veneno. O que era um peixe se debatendo contra o mantra que domou um elefante? A sensação frente ao cosmo ascendente de Virgem era confusa, pois misturava pressão e dormência; força e gentileza. Foi quando Jully compreendeu a vontade de Asmita era inocente. À essa altura, Agatha e o pisco chegavam cada vez mais perto. No entanto, a mesmo a peixe sem fôlego recusava-se a cair, elevando o próprio cosmo enquanto falava ao outro Cavaleiro.
    -Eu nunca vou deixar de proteger as pessoas contra o sangue carmesim, e por incrível que pareça, isso inclui você. Jamais permitirei dúvidas sobre o meu caminho; o mesmo destino trilhado por ele com orgulho!-Exclamou, revolvendo-se até confrontar o belo rosto virginiano.-Será que pode dizer o mesmo, Virgem?, retrucou, referindo-se ao ceticismo de Asmita.
    Uma onda propagou-se sobre a água que invadira o recinto. Jully percebeu que a fonte da confusão, afinal, consistia no Dourado à sua frente. Contudo, libertar-se daquele aquário de fantasia era tarefa árdua, assim como controlar seus próprios sentimentos (a chave para recuperar a lucidez completa de Peixes).
    -Você às protegerá contra o sangue carmesin...Mas, e quanto à morte? Conseguirá?-Diante destas palavras, o chão começou a se rachar, e um baque surdo sucedeu-se no umbral sob os pés da garotinha, assustando-a, fazendo-a olhar para trás e para baixo, enquanto a rachadura ia quebrantando o solo em sua direção.
    -Ahn?! - Assustada, ela sentiu-se oprimida, e seus joelhos tremeram, e o medo apossou-se dos seus olhos e do seu corpo. Ela seria vítima de um rápido terremoto, como o bote de uma serpente, o qual paralisa o alvo, antes de picá-lo.
    -Como você a salvará agora? Tem que pegá-la pela mão, ou será impossível impedí-la de cair.-Um buraco se abriu sob os pés dela, tão profundo que não era possível ver o seu fundo; lembrava uma imensa boca sem dentes,cujo ar que provinha era um mau hálito vil e fúnebre... A própria percepção o escolheria como uma passagem ao inferno, de tanta agonia que exalava daquele lugar.

    -Ciclo das Seis Existências!
    O cenário se modificou em um circulo de inúmeras imagens, às quais iam subindo num ciclone lento e gigante, e ela ia caindo entre as imagens, sem parar em nenhuma, como se estivesse flutuando, só porque Asmita permitia. Ela seria arremessada a um dos seis mundos, mas para isso, Asmita teria que se livrar do próprio mundo a que seria enviado, pois ele não fora exceção,e aquela técnica era tão genuína quanto as feições do próprio virginiano. Ele seria pego, e como salvaria Ágatha? Como ele poderia impedir que ela caísse, sendo que teria que se preocupar com a condição de seu corpo e com a proteção de uma vida tão pura e jovem? Será que ele permitiria que ela caisse, também? Asmita ficou observando, enquanto os ares ganhavam a força de um tornado e esvoaçavam as madeixas dos três. Apenas o pisco,em sua realeza, mantinha-se protegido por uma redoma de energia criada por Asmita.
    -Como irá salvá-la, Jully de Peixes, se nem a si poderá salvar? - Sua voz era repleta de maldade, totalmente desafiadora, arrogante. Agora não era mais um teste, era uma provação que Jully deveria passar e ainda impedir que uma pessoa querida morresse. -Seja educada, quando for se pronunciar a alguém que se importa com você; a humildade é a maior virtude de um homem.
    E nada era mutável. Na realidade, Jully veria, assim que fizesse a sua escolha, que não saíra do lugar, muito menos que sua preciosa Ágatha estava ali. Só veria o pisco, piscando o tempo todo, cantarolando e ciscando longe dela. Asmita quieto em seu canto. Ele a conhecia melhor do que a garotinha poderia imaginar. Durante suas passagens por Rodorio, o guardião havia notado o ritmo apressado da pequena floricultora, sempre tão prestativa. Na primeira oportunidade, quando alguns aldeões a chamaram por seu nome, Jully gravou-o facilmente, silenciosamente. Assim agia aquela Amazona intocável. Peixes não tinha tempo para questionar o que estava vendo, pois as ilusões alcançaram um novo nível. No mundo, existem pessoas que perseguem as próprias ilusões; outras testemunham a realidade, mas não são capazes de acreditar nela. Então, o que realmente importa? Para Jully, a resposta era Agatha.
    “Não pode ser!!!”
    Apenas um sentimento forte, ligado à afeição e gentileza que buscava controlar com todas as forças, fez com que deixasse de lado seu empenho para atingir a razão do virginiano. Asmita estava pressionando sua companheira a fim de fazê-la transbordar; seu cosmo alcançando um pico inesperado, o que fez com que o outro Cavaleiro de Ouro trepidasse diante da cena horrível.
    -AGATHA!!!-Gritava Jully.
    Um raio escarlate distinguiu-se no espaço distorcido pela técnica de Asmita. Explodindo seu cosmo, Jully alcançou não apenas a mão de Agatha. Arrebatado, avançou em pleno ar, trazendo a menina para junto do corpo e envolvendo-a completamente com os braços protegidos pela armadura dourada. A corrente de vento era brutal e, apesar de Jully ter conseguido afastá-la da grota infernal, os dois pareciam cair no vórtice formado pelas imagens sagradas invocadas na execução do Rikudo Rinne (Ciclo das Seis Existências).
    -Não importa o que vai fazer comigo!! Eu juro que não haverá espaço entre céu e terra onde você possa se esconder caso alguma coisa aconteça à ela!!!, bradou, enquanto abraçava Agatha.
    Bocas esfomeadas, garras imundas, formas divinas, um belo campo de flores brancas, o inferno e... tudo o que Jully desejou foi que Agatha voltasse para sua casa e família, nem que ela mesma tivesse que ser jogada nas trevas do submundo.
    “Jully! Jully!!!”
    Quanto tempo se passou até elea sentir que recobrou a lucidez, só o Cavaleiro de Virgem pode responder. Estendido e com o lado esquerdo do rosto nivelado no solo firme, Jully, pôde reconhecer duas formas, quais sejam, o pisco (em seu canto alegre) e, no fundo, Asmita... como se nada tivesse acontecido. Naquela posição vulnerável, concluiu que Agatha nunca estivera lá.
    -"Por que eu não percebi isso antes...?", questionou-se, agora de pé no mesmo lugar. Sabia que Asmita havia conseguido provar, pelo menos em parte, o seu ponto de vista.- Obrigada Asmita por ter me feito enxergar.
    -Agora que enxergou o que todos queriam lhe mostrar, você poderá ir ao encontro do grande mestre.- Disse Asmita.

    Conteúdo patrocinado

    Re: Área de treinos da Jully

    Mensagem por Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: 23.08.17 21:17